Quase metade dos 108 citados nos pedidos de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) é suspeita, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), de ter cometido o crime de caixa 2. O procurador-geral Rodrigo Janot usou o artigo 350 do Código Eleitoral (fazer declaração falsa à Justiça Eleitoral) para pedir ao ministro Edson Fachin que o Supremo investigue 42 pessoas, entre as quais 21 deputados federais, 12 senadores, um ministro – Roberto Freire (PPS) – e um governador, o petista Tião Viana, do Acre.

Ao todo, 37,8% dos citados terão de se defender dessa acusação. Só dois dos 108 terão de enfrentar, além da acusação de crime eleitoral, a de corrupção passiva e a de lavagem de dinheiro. São o deputado federal Marco Maia (PT-RS) e o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). Dos 108 citados, Fachin já determinou a abertura de inquérito contra 98.

“Essa manifestação da PGR vem ao encontro do que eu pessoalmente e muitos outros criminalistas defendíamos: a necessidade de uma diferenciação técnica do crime constante do Código Eleitoral, o caixa 2, daqueles que constituem outro delitos do Código Penal, especialmente os relacionados à corrupção”, diz o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira.