Durante a semana, o presidente Jair Bolsonaro prometeu apresentar provas de que houve fraude nas eleições por meio das urnas eletrônicas em sua live semanal. Na noite da última quinta-feira, 29, porém, recuou, admitiu que não poderia comprovar nada, falou apenas em indícios e atacou o ministro Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Horas depois da transmissão do chefe do Executivo federal, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a discussão sobre o voto impresso é “conversa fiada”. “Essa ideia de que, sem voto impresso, não podemos ter eleições ou não vamos ter eleições confiáveis, na verdade, esconde talvez algum tipo de intenção subjacente, que não é boa”, disse o decano da Corte. “Vamos parar um pouco de conversa fiada. Claro que todos nós somos favoráveis à audibilidade da urna, e ela é auditável”, acrescentou o ministro.

O magistrado deu as declarações em um evento virtual promovido pelo Consultor Jurídico (Conjur). No encontro, do qual também participou o presidente da Câmara dos DeputadosArthur Lira (PP-AL), Gilmar Mendes questionou a solidez do voto impresso, principal bandeira de Bolsonaro. “A discussão sobre o voto impresso revela uma impropriedade. Se estamos a falar de fraude no programa, o voto impresso não elidiria essa fraude, porque aquilo que é impresso já passou pelo programa”, disse. Lira, por sua vez, destacou que disputou oito eleições e não há “nenhum fato que diga respeito a fragilidade no sistema ou fraudes”. O parlamentar do PP também afirmou que a PEC, de autoria da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), deve ser derrotada na comissão especial que analisa a matéria – a votação do relatório do deputado Filipe Barros (PSL-PR) está marcada para o dia 5 de agosto. “A questão do voto impresso está tramitando na comissão especial, o resultado da comissão impactará se esse assunto vem ao plenário [da Câmara] ou não. Na minha visão, tudo indica que não”, avaliou.