Em entrevista ao programa Jornal da Cidade, da Rádio Metropole, a líder indígena Sônia Guajajara comentou a importância da presença dos povos originários nos espaços de poder e decisão do país. Integrante da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time, a militante maranhense afirmou que quer, um dia, ver uma pessoa indígena como presidente do Brasil.

“Não queremos mais ser representados, queremos ser representantes da nossa própria história”, afirmou Sônia. Segundo ela, o debate sobre questões indígenas precisa de mais espaço, mas tem avançado. “Às vezes, a gente fala, mas parece um grito ensurdecedor, onde poucas pessoas escutam”, revelou. “Estar nessa lista é uma oportunidade para que essa informação chegue para mais pessoas”, completou.

Integrante da chapa do ex-candidato à presidência do Brasil pelo Psol Guilherme Boulos, em 2018, Sônia disse ter esperança de que a presença indígena na política seja ampliada. “A gente quer aumentar essa voz, que mais indígenas ocupando esse espaço, tanto no Congresso Nacional, quanto nas assembleias legislativas em todos os estados. Estamos trabalhando para ocupar cada vez mais lugares de poder e decisão”, disse.

“Por que não termos, um dia, uma ou um indígena presidindo o país?”, questiona a maranhense. “Afinal de contas, somos povos originários”, completa. “Foram 518 anos para que a gente pudesse compor a chapa presidencial, mas não é tarde, estamos trabalhando a passos firmes para que um dia possamos assumir o comando do país”, afirmou.

Sônia relembrou que, em toda a história, o Brasil só foi ter um parlamentar indígena, o deputado Mário Juruna, na década de 80. Depois, em 2018, com o apoio do movimento indígena, houve a eleição da deputada Joenia Wapichana, de Roraima, a primeira mulher indígena no cargo.