Palavras dizem muito sobre a história e a cultura de uma sociedade. Quando expressões como “mulata” ou “a coisa tá preta” se tornam naturais, é indício do quanto a opressão e o preconceito estão incorporados à visão de mundo das pessoas. Entre sutilezas, brincadeiras e aparentes elogios, a violência simbólica se amplia quando expressões como estas são repetidas. O vício de linguagem em muitos termos permaneceram e, os verbetes, alguns, ficaram. Mas, não se trata exatamente de injúria racial ou mesmo crime de racismo.

Enquanto a injúria racial consiste em ofender INDIVIDUALMENTE a honra de alguém valendo-se de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, o crime de racismo atinge uma COLETIVIDADE indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça.

REEDUCAÇÃO.

Corrigir as desigualdades é um passo fundamental para que se construa uma sociedade mais justa. Há expressões que são usadas no dia-a-dia das pessoas que denotam discriminação com os negros, colocando essa população em situação de subalternos, assim como suas produções culturais, incluindo sua religiosidade. É preciso evitar esses termos nos dias de hoje. Não caem bem!

QUANTAS VEZES CHEGAMOS NUMA LOJA E TÁ LÁ ESCRITO: “Criado mudo em promoção”. É racismo do comerciante? Ele tá cometendo crime? Não. Apenas ele ainda não atentou que esse verbete está ultrapassado. Que existe algo pejorativo e, que precisa sanar. Precisa evitar e jamais repetir. Nosso povo precisa se reeducar.

QUANTAS VEZES USAMOS O TERMO “DENEGRIR”, inconscientemente. Inclusive em textos de faculdades,  universidades e até mesmo citado por ministros. “DENEGRIR’, tem o significado paralelo de tornar-se negro. SÃO RACISTA POR ISSO? Não. Mas, precisam ser reeducados e atenciosos. Não se configura crime algum!

Rita de Cássia Ferreira é presidente do Conselho Municipal/SP de Combate à Discriminação e ao Racismo (Comcedir) e diz que a palavra chave para acabar com as expressões discriminatórias é de fato a reeducação.

“Precisamos pensar em uma educação antirracista. Pensar no significado destas palavras, no racismo estrutural presente em cada uma delas. O lado negro da força, por exemplo, negro é sombrio, o negro é visto como sujo, como do mal e não é nada disso”.

Todos nós já citamos a palavra “MERCADO NEGRO”. Quando falamos sobre economia, citamos este verbete. Quando falamos em Dólar, as vezes citamos também “MERCADO NEGRO”. Nós não só citamos ‘MERCADO NEGRO’, como gostamos também do por fora, sem nota, do mais fácil, mais barato, etc.

Sempre em entrevista o ministro Paulo Guedes cita o termo “MERCADO NEGRO’, remetendo à aquilo que não é legal. Portanto, PAULO GUEDES É RACISTA? Não. Precisa apenas evitar estes termos. Não cita por discriminação a nenhum negro”. evidentemente.  Alguém viu ou ouviu algum massacre nas redes sociais contra o homem forte de Bolsonaro? Algumas instituiçõe foram pra cima?

Alguns políticos a exemplo Bolsonaro,  FHC, ACM Neto, Ciro Gomes, Lula, Rui Costa, mesmo inconscientes, já citaram termos como “A COISA TÁ PRETA” ou “MOMENTO NEGRO DA HISTÓRIA”, quando tentam retratar uma determinada situação pretérita e/ou memo atual. Estes cidadãos são racistas? Merecem ser tachados de alguma forma de discriminaação? NÃO. São lapsos do cotidianio, que precisam ser policiados por eles mesmos. Isso chama-se: Reeducação.

Algumas expressões que devem ser banidas do nosso vocabulário. Algumas expressões aparentemente não parecem ofensivas, mas são.

1- Denegrir
A palavra denegrir é recorrente quando a pessoa está sendo difamada. É uma palavra vista como pejorativa e seu real significado é “tornar negro”.

“No meio acadêmico denegri é muito usado como algo maculado, manchado, mas não é esse o real significado da palavra”.

2 – Inveja branca
Mais uma expressão que associa o negro ao comportamento negativo. Inveja é algo ruim, mas se ela for branca é suavizada.

3 – Amanhã é dia de branco
Essa expressão tem muitas explicações. De acordo com estudiosos e por explicações do senso comum, tal afirmação foi criada em alusão ao uniforme da marinha. Outra justificativa para a declaração é feita com menção a nota de mil cruzeiros, que na época possuía a estampa do Barão do Rio Branco e, portanto, usava trajes brancos. Resumindo, dizer que o dia posterior é “de branco” significa que é um dia de trabalho ou de ganhar dinheiro. Mas, sabe-se que tal dito popular foi ganhando sentidos preconceituosos, uma maneira de demonstrar a “inferioridade dos negros”

4 – Serviço de preto
Ainda falando sobre a questão do trabalho tem a expressão serviço de preto, usada para descrever um trabalho ruim, malfeito. “Mais uma vez o preto sendo colocado como ruim e o branco como bom”, diz.

5 – A coisa tá preta
A expressão diz que se a coisa está preta, não está agradável.

6- Mercado negro
O mercado negro é aquele que promove ações ilegais. Mais uma vez a palavra negra sendo sinônimo de ilícito.

“Estas expressões deixam claro que o negro é sujo e o que é branco é limpo, é legal”, reforça Rita.

7- Da cor do pecado
Essa expressão é usada como elogio, para descrever a beleza da cor da pele negra, mas em uma sociedade onde pecar é algo negativo, a pessoa ser da cor do pecado é mais uma ofensa.

“Essa expressão também é associada a negra fogosa”.

8 – Morena/Mulata
Muitas pessoas acreditam que chamar a pessoa de negra é ofensa e por isso, tentam amenizar com a palavra morena.

E nesta lista está também a expressão mulata que vem da palavra mula, um filhote do cruzamento de cavalo com jumenta.

“As mulatas eram as negras usadas para o cruzamento inter-raciais não consentidos, daí seus filhos que são os mulatos. É uma expressão pejorativa”.

09- Samba do crioulo doido
Título do samba que satirizava o ensino de Historia do Brasil nas escolas do pais nos tempos da ditadura, composto por Sergio Porto (ele assinava com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta). No entanto, a expressão debochada, que significa confusão ou trapalhada, reafirma um estereótipo e a discriminação aos negros.

10- Ter um pé na cozinha
Forma racista de falar de uma pessoa com origem negra. Infeliz recordação do período da escravidão em que o único lugar permitido às mulheres negras era a cozinha da casa grande.

11 – Não sou tuas negas
A mulher negra como “qualquer uma” ou “de todo mundo” indica a forma como a sociedade a percebe: alguém com quem se pode fazer tudo. Escravas negras eram literalmente propriedade dos homens brancos e utilizadas para satisfazer desejos sexuais, em um tempo no qual assédios e estupros eram ainda mais recorrentes. Portanto, além de profundamente racista, o termo é carregado de machismo.

12- Meia tigela
Os negros que trabalhavam à força nas minas de ouro nem sempre conseguiam alcançar suas “metas”. Quando isso acontecia, recebiam como punição apenas metade da tigela de comida e ganhavam o apelido de “meia tigela”, que hoje significa algo sem valor e medíocre.

13 – Doméstica

Negros eram tratados como animais rebeldes e que precisavam de “corretivos”, para serem “domesticados”.

14 – Criado-mudo

O nome da mesa de cabeceira vem de um dos papéis desempenhados pela criadagem dentro de uma casa: o de segurar as coisas para seus senhores. Como o empregado não poderia fazer barulho para atrapalhar os moradores, ele era considerado mudo….

15- Feito nas coxas

A origem da expressão popular “feito nas coxas” deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de escravos.

“Os escravos tinham diferentes portes físicos, causando a fabricação de telhas completamente desiguais e, consequentemente, telhados desnivelados, por isso, a expressão dá um tom de serviço mal feito. Mas uma vez o ruim associado ao negro e isso é racismo”, finaliza Rita de Cássia.

Fontes: dicionário Michaelis, a militante e escritora Stephanie Ribeiro e o artigo “Metáforas Negras”, de Vera Menezes, Concedir e pesquisa no próprio site: jornaldoradialista.com.br

*Elias Reis é editor do site:  www.jornaldoradialista.com.br