A violência contra a mulher é uma das formas mais cruéis e evidente da desigualdade de gênero nesse país . A perpetuação dessa prática criminosa, lamentavelmente encontra espaço na nossa tecitura social , uma vez que pertencemos a uma sociedade que nasceu dentro de uma estrutura patriarcal, profundamente machista , desigual , impregnada em valores sexistas , que diariamente machuca e oprime de todas as formas a construção da identidade feminina, buscando abafar o papel social relevante que elas exercem.
Nesta sociedade, imperam a perversidade e a complexidade das muitas formas de violência , chegando a corromper a subjetividade das mulheres violentadas, suas emoções , seus desejos , pensamentos e sentimentos impedindo que elas tenham ou possam ter um espaço relacional harmônico , amigável , saudável , interpessoal ou social .
O abusador de forma esdrúxula e nefasta , age de forma contínua , perigosa e sútil pois são doentes , desequilibrados emocionalmente ao ponto de não perceberem que estão ferindo pessoas , machucando vidas , destruindo projetos e sonhos de uma pessoa. Essa violência era antes considerada invisível diante das diversas situações vivenciadas por mulheres violentadas.
É preciso denunciar essa cultura nítida , clara e transparente do abuso , pois assim ajudaremos a promover a necessária mudança social e comportamental desejada por muitas que sofrem nas suas relações intra-familiares , onde preferem o silêncio a efetivar denúncia , seja por medo , vergonha ou culpa. Se faz necessário, políticas públicas viáveis que venham a beneficiar de verdade essas mulheres que durante décadas foram obrigadas a sofrerem caladas , sendo violentadas por seus companheiros , país , irmãos , chefes , amigos , colegas de trabalho e desconhecidos .
É preciso dar um basta , nas múltiplas formas como se apresenta a violência contra mulher tais como: física , psicológica , sexual e patrimonial todas essas maneiras , montam a base da composição de uma sociedade patriarcal e misógina , como reflexo desta, banaliza, marginaliza e inferioriza a condição da mulher a de objeto como fora no passado. Enquanto isso, muitas se silenciam , sofrem , se angustiam , se escondem por não terem sequer o direito de gritar! E assim , passam a conviver amargamente diariamente com as violências nos mais diversos espaços principalmente nos ambientes domésticos longe do olhar vigilante de estranhos , nas relações de trabalho e nas ruas .
Diante de diversas leis existentes como : Lei Maria da Penha (2006), a do feminicídio (2015),a de importunação sexual (2018) cabe questionar : porque a persistência da prática da violência contra a mulher no Brasil ? Impunidade ? Sensação de insegurança da vítima? Descrédito referente ao amparo do poder público ? Medo? Vergonha ? . Posso afirmar ainda que, diante desses questionamentos , as mulheres violentadas ainda enfrentam o preconceito , já latente e cristalizado no meio social que contribui para um julgamento opressor , excludente , marginalizador, e equivocado do contexto da agressão , chegando a inverter a atribuição da culpa que sempre recai sobre a mulher que sofreu ataques oriundos de relações sociais profundamente tóxicas e agressivas .
Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações , é preciso consciência acerca da importância do outro , é preciso empatia , serenidade para reconhecer os sentimentos do outro . É imprescindível a adoção de medidas que efetivamente neutralizem o poder de ação do agressor, buscar a efetivação de projetos socioeducativos que valorizem e protejam as mulheres , tudo isso visando contribuir acabar com o sofrimento e dor de tantas Marias, Pamella, Geanes, Polianas ,K.L.P e que estas tenham ao mínimo o direito de não sofrerem em silêncio. Violência contra mulher é crime ! Basta !

*Coordenador do Curso Gabaritando e do Projeto Social Transformar.