O Governo do Estado, por meio do Programa Bahia Sem Fome, já entregou 60 toneladas de alimentos às cooperativas e associações de catadoras e catadores de materiais recicláveis de Salvador ao longo de um ano e seis meses de gestão. De acordo com o coordenador-geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome, Tiago Pereira, a expectativa é que os profissionais sejam beneficiados com o Comida no Prato através das Cozinhas Comunitárias e Solidárias, que vai distribuir 2,2 milhões de refeições no estado, por meio de organizações sociais selecionadas em edital. “Chegamos com a missão de tirar a Bahia do Mapa da fome. Foram identificadas 1,8 milhão de pessoas vivendo em situação de insegurança alimentar grave. Em um ano e meio de gestão, a partir de um conjunto de ações, já conseguimos reduzir em 50% essa triste realidade, segundo os dados da PNAD/IBGE que apontam que há ainda 833 mil pessoas em situação de fome na Bahia.”

A declaração foi realizada nesta quinta-feira (6), no bairro do Uruguai, durante o Encontro dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis Autônomo e Cooperativados de Salvador. O evento, que reuniu 12 associações e cooperativas que atuam na capital baiana, foi promovido pela ONG CAMA, o coletivo de associações e cooperativas formado pela Cooperguary, Caec, Camapet, Crun, Cooperes, Coocreja, Cooperbari, Coleta Cidadã, Canarecicla, Cooperlix, Cooperbrava e Canore, que integram o Fórum Estadual Lixo e Cidadania da Bahia, em parceria com o Programa Bahia Sem Fome. O encontro marca a Semana do Meio Ambiente e o Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis, celebrado nesta sexta-feira (7).

Apesar de realizar um trabalho essencial para a preservação do meio ambiente, os catadores de materiais recicláveis são profissionais muitas vezes invisíveis para a sociedade. Essa foi uma das queixas dos 80 catadores que ocuparam as cadeiras do Espaço Cultural Alagados nesta quinta-feira. Entre eles, está o autônomo Nivaldo, que atua na Península de Itapagipe, território de Salvador, que abriga cerca de 160 mil moradores: “Comecei a catar material reciclável aos 6 anos de idade. Hoje, tenho 45 anos de idade. Já recebi muita porta na cara. As pessoas não nos recebem bem, não nos oferecem ao menos um copo com água, sequer”, conta o trabalhador. “Mas eu não tenho vergonha de vestir a camisa de catador, eu tenho orgulho do meu trabalho!”, finalizou ele, que carrega no sobrenome o nosso país. O autônomo foi registrado como Nivaldo Brasil.

Foto: Adriel Francisco

O coordenador do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), Joilson Santana, ressaltou como objetivo do encontro o avanço na construção de uma agenda ao longo do ano. “Para que a gente possa discutir ações que garantam o fomento ao trabalho e renda desses profissionais essenciais para a questão da preservação do meio ambiente. Trabalhadores essenciais para a garantia da preservação dos recursos naturais e, sobretudo, da inclusão socioprodutiva de famílias que estão ainda precisando de apoio e fomento, buscando a sobrevivência dos seus e daqueles que ainda são responsáveis pelos familiares e integrantes desses núcleos familiares”.

Texto: Camila Fiuza/BSF