Partido que elegeu a maior quantidade de prefeitos na Bahia – 108, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o PSD, por meio das suas lideranças, tem endurecido o discurso contra o governo de Rui Costa (PT) após as eleições. Os senadores Otto Alencar e Angelo Coronel têm feito críticas públicas à condução do governador baiano durante o pleito. Coronel criticou a estratégia eleitoral de pulverização de candidaturas adota na disputa pela prefeitura de Salvador. O senador chegou a dizer que o chefe do Palácio de Ondina precisa ser “humilde”, e pediu ainda que “caia na real, baixe a bola”. Coronel afirmou ainda que Rui Costa tem que atuar para “recompor o arco de aliança”. Em entrevista à rádio Metrópole, Otto Alencar, que preside o PSD na Bahia, minimizou as declarações do aliado, mas ressaltou que “a estratégia, traçada por Rui, não teve vitória, deixou a desejar, não foi correta”. “Temos integrantes do próprio partido que foram prejudicados pela ação do governo”, emendou.

Otto afirmou que o governo de Rui Costa “desequilibrou” a eleição nas cidades. “Não há como não dizer que o governador não abraçou a candidatura da candidata do PT, Major Denice, contra as candidaturas de Isidório, Olívia e Bacelar. Desequilibra, claro. Não há como não reconhecer a força do governador na Bahia”, declarou. O senador disse ainda que em Jaguaquara também houve um “desequilíbrio”. Segundo ele, durante a eleição, o vice-governador da Bahia, João Leão (PP) e o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, inauguraram a duplicação do hospital municipal da cidade, favorecendo o postulante do PP. “Perdemos por 48 votos. O governador tinha me dito que não permitiria inaugurações para não ter desequilíbrio eleitoral”, acrescentou.

Anteontem, Rui Costa afirmou que não foi responsável pela estratégia de pulverização de candidaturas à prefeitura de Salvador.

“Seria erro estratégico se eu tivesse pedido a cinco pessoas para ser candidato. Você (o jornalista) ouviu alguma declaração minha pedindo alguém? Alguém disse que eu pedi? Então, erro se eu tivesse pedido. Eu não defini estratégia de cinco candidaturas. Só tem uma diferença. A história minha e do meu grupo não é de impor. É diferente do outro grupo, que alguém diz ‘não vai sair e ponto final’. Eu não faço isso, tá certo? Quem quis sair, teve a opção de sair. É um direito das pessoas. Não acho isso nenhuma violência comigo não”, declarou. “Eu chamei cada um para conversar e disse ‘não saia porque você vai sair menor do que entrou na campanha’. Eu disse as pessoas. (A pessoa diz) ‘governador me permita que eu tenha essa cidade oportunidade, estou com sentimento que o povo vai abraçar essa candidatura’. Eu vou dizer o quê? Vou dar ordem de que não saia. Eu não faço isso. Não sou dono da verdade. Eu não seria humildade se me considerasse o dom de descobrir o futuro e saber a verdade sobre tudo. Eu deixei claro para todo mundo. (…) (Eu disse) que pode usar minha imagem, pode usar que a gente fez coletivamente, só não pode depois da eleição botar na minha conta”, acrescentou.