A cidade tem um histórico de uso da área pública da Avenida Soares Lopes, em questão,  e a comunidade sempre entendeu que sua pretensão sobre esta  área seria respeitada e garantida.  Quem vive aqui é essa população a qual o MPE diz servir.  Existem muitas áreas onde a demanda por sede desses órgãos pode ser atendida. Não necessariamente na área pública da nossa Avenida.
O projeto com a intenção de construção das sedes Ministério Público Estadual e Polícia Federal, despreza as intenções da sociedade ilheense, ignora suas tradições culturais, desconhece o uso tradicional da área,  atropela a vocação da Avenida Soares Lopes como parque verde,  para o turismo, congraçamento social, uso esportivo, para nosso lazer e manifestações culturais.
A progressão dessa ocupação, como se vê manifestado nessas tratativas entre SPU e interessados,  abre a temporada para outros assédios sobre a mesma área que, ao que parece, veremos transformada num “centro administrativo”, ao tempo em que sepulta os planos com que sempre sonhamos, as nossas aspirações turísticas a partir de projetos urbanísticos  semelhantes ao que vemos implantados em outras localidades e que não cansamos de citar como referências para o que desejamos, como Atalaia em Aracaju, orla de Santos,  aterro do Flamengo, entre outras, inegavelmente e igualmente,  sob autonomia do SPU.
Ademais o município tem um PDDU, entre outras doutrinas urbanísticas, que devem ser respeitadas e cumpridas. Aos 65 anos de vida integralmente vividos nesta cidade nunca ouvi dizer que não teríamos autoridade e autonomia sobre os destinos dessa área. Mesmo porque, pagamos alto preço pelos impactos decorrentes da construção do Porto do Malhado, que ainda hoje evoluem e se agravam: o cobiçado  assoreamento da praia da Avenida,  que fez surgir ali o acréscimo de marinha, causou também o desaparecimento da praia do Pontal, o dissolvimento do São Miguel com suas ruas e casas, e que ainda não cessaram.
Qual a compensação que a sociedade ilheense terá?  Não compete aos ilustres procuradores esse conhecimento como notáveis “guardiões da cidadania”? Não têm de se aperfeiçoar no conhecimento do contexto histórico e cultural de onde atuam? Ou simplesmente podem ignorar tudo isso em nome do conforto dos seus servidores,  como alegam na sua justificativa capenga?
Quando o “guardião da cidadania” desfere tal golpe  numa sociedade de “guarda baixa”, o que mais podemos esperar dessa usurpação?  Só mesmo que outras instituições,  como a Polícia Federal, sigam o mesmo caminho. Que sirva, então, o sacrifício da nossa Avenida, para sanar nossas carências e suprir outras demandas sob a mesma égide: um centro administrativo municipal,  um novo presídio,  uma nova e confortável Câmara de Vereadores, o Ministério Público Federal, um quartel central da Polícia Militar, uma nova Central de Abastecimento,  e alguns condomínios residenciais com arranha céus,  para melhorar nossa arrecadação e pagarmos a monstruosa dívida pública municipal.
Afinal trata-se mesmo de uma área meio deserta, com aspecto de abandono e, como afirma o nosso “guardião” MPE, tudo dentro de um padrão urbanístico condizente que não vai causar impactos ambientais.
A notícia chega à comunidade ilheense como uma punhalada à traição, que surpreende a vítima desprevenida, de guarda baixa; um golpe desferido por quem de onde menos se espera, e que atinge irrecuperávelmente o nosso modo de ser e estar.
Era tudo que estava faltando!
PREFEITO DETERMINA REMOÇÃO DE CICLOVIA MAL PROJETADA DA BARRA - O Tabuleiro
*Alcides Kruschewsky Neto
FOTO PANORÂMICA DA AVENIDA, ilustrativa, divulgação. JORNAL DO RADIALISTAM devidamente autorizada pelo autor.