Em maio de 2021, a Prefeitura de Itabuna começou o desafio mais ambicioso da Administração Municipal na gestão do prefeito Augusto Castro (PSD), convertendo o cenário de mais de 50 anos de degradação ambiental, humana e social em exemplo nacional de inclusão, transformação social e econômica e sustentabilidade.

A desativação do lixão pôs fim ao trabalho insalubre exercido por centenas de badameiros, como eram conhecidos os catadores e as catadoras informais de lixões, sob condições subumanas, e que em Itabuna foram qualificados como agentes ambientais certificados e premiados depois do fechamento do antigo lixão.

A Prefeitura de Itabuna liderou todo o processo de mudança estrutural e social na vida das centenas de pessoas que sobreviviam no local insalubre, contando com a parceria da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), Ministério Público do Trabalho (MPT) e da empresa CVR Costa do Cacau.

O secretário de Relações Institucionais e coordenador do Programa Reciclam Itabuna, Rosivaldo Pinheiro, destaca que durante o processo de transição dos agentes ambientais a gestão Augusto Castro focou amparar as famílias com auxílio financeiro, cestas básicas, aluguel social e encaminhamentos para tratamentos de saúde e acesso ao mercado de trabalho, dentre outras ações, mas principalmente a profissionalização.

“A gente só tem que comemorar e agradecer a todos que confiaram neste projeto. Por isso, devemos parabenizar a gestão do prefeito Augusto Castro e a todos os pares que fazem parte desse processo. Atualmente, temos universitária entre os agentes da segunda geração e temos outros estudando que também buscam a formação em nível superior”, comenta Rosivaldo.

A capacitação e dignidade dos catadores e catadoras para que passassem a atuar como agentes ambientais de forma digna, segura e organizada com a utilização de uniformes, equipamento de proteção individual (EPIs) e Central de Triagem é motivo de celebração. Com o novo sistema de trabalho surgiu a Associação de Agentes Ambientais e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (AACRRI).

A presidente da AACRRI, Carissa Santos contou sobre o processo de adequação à seleção de materiais, coleta seletiva e a formação dos agentes. Eles também passaram a atuar como educadores ambientais em escolas e faculdades e a fechar parcerias com condomínios residenciais e empresas, onde fazem a coleta e ministram aulas de como fazer o correto descarte do lixo gerado.

“Com fechamento do lixão e os processos decorrentes, fomos vistos e, com a capacitação, começamos a fazer o trabalho de educação ambiental” contou Carissa. Ela lembra que antes as pessoas colocavam o lixo misturado para a coleta. “Mas, depois da educação ambiental passaram a separar o lixo e isso mudou a perspectiva dos agentes e tem mudado aos poucos a percepção da população”, afirma.  “Antes da educação ambiental, a renda no mês era em torno de R$200. Agora, a realidade é por volta de R$1.700 mensais”, acrescentou Carissa.

DO LIXO AO LUXO

A presidente da AACRRI faz um comparativo entre a realidade degradante que vivia na adolescência e a transformação de sua vida e das demais famílias que acreditaram que podiam reescrever suas histórias. “Antes, a gente trabalhava em tempo aberto, no meio de porcos, urubus, cachorros e todos os tipos de animais peçonhentos e o material era recolhido no lixo de toda a cidade, com contaminantes e mau cheiro” relata Carissa.

“A gente sentia vergonha de sair do lixão para ir às ruas, porque se sentia fedido. Aquele odor insuportável não saia das roupas” conta a jovem, relatando ainda que muitos usavam produtos de limpeza para a higiene pessoal no intuito de se livrar do mau cheiro.

“Depois de uma vida de invisíveis, os associados da AACRRI vivem um novo capítulo sendo espelho para outras pessoas” fala Carissa: “Atualmente, a AACRRI é referência nacional. Tem cooperativa, com mais de 10 anos, que não tem a estrutura da AACRRI. Então, todas essas conquistas são motivos de alegria e saber que nossa cidade está avançando e ser espelho para as outras associações é maravilhoso”, completou. Com orgulho, Carissa fala também das premiações e participações em eventos em Brasília (DF), São Paulo, capital, e em Salvador (BA) e ainda das visitas de representantes de cooperativas de reciclagem de todo Brasil à Central de Triagem da AACRRI.

Atualmente, a AACRRI conta com um galpão para armazenamento do estoque, um caminhão, com motorista e combustível cedidos pela Prefeitura, duas caminhonetes bombonas, adquiridas com recursos próprios da associação, e uma prensa.
Além disso, através da logística reversa o fluxo de materiais do consumidor volta aos fabricantes, permitindo o reaproveitamento, reciclagem, reuso ou o descarte adequado de resíduos sólidos e embalagens. A associação também faz coletas fixas e agendadas via mensagens de Whatsapp (73) 98181-1136.

PARCEIRAS

Empresas que tiverem interesse em fechar parcerias com a AACRRI podem entrar em contato com a associação para emissão de um Termo de Cooperação e do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR).

O MTR é um documento eletrônico nacional obrigatório, emitido via SINIR que rastreia a movimentação de resíduos sólidos da geração até a destinação final (reciclagem, aterro, etc.), para garantir às empresas parceiras que todo material está sendo destinado ao descarte correto.

ORGULHO

Já o Programa Recicla Itabuna, uma política pública de manejo de resíduos sólidos criado na gestão do prefeito Augusto Castro (PSD), em 2022, com o apoio do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMAM) e demais órgãos públicos, também passou ser um orgulho da cidade.

Com apenas alguns poucos anos, a implantação da nova estrutura permitiu às defensoras públicas estaduais Kaliany Gonzaga e Aline Muller receberem o Prêmio Innovare, na categoria Defensoria Pública, concedido pelo Instituto Innovare, através do Programa Mãos que Reciclam, desenvolvido pelo Núcleo de Gestão Ambiental (NUGAM) da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE – BA).

A ação conjunta entre a Prefeitura de Itabuna, DPE – BA, MPT e CVR Costa do Cacau representa muito, além do fim do lixão porque consolidou em Itabuna uma verdadeira mudança de paradigma.  Além disso, a trajetória dos agentes ambientais reflete o compromisso com a dignidade humana, a educação ambiental e a sustentabilidade, o que faz com que Itabuna cumpra a lei e também reescreva nova história social e ambiental.