A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que ele não autorizou o uso de sua imagem em um vídeo produzido com Inteligência Artificial (IA) e exibido durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25). A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o ministro Alexandre de Moraes solicitar esclarecimentos sobre a exibição do material.

Na resposta enviada nesta quarta-feira (29), o advogado Paulo Cunha Bueno argumentou que Bolsonaro não teria condições de conceder autorização para o uso de sua imagem, citando as restrições impostas por decisão judicial.

Segundo a defesa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está impedido de visitar o pai por 90 dias, o que afastaria a possibilidade de qualquer contato para tratar da produção do vídeo.

“Aliás, sequer poderia fazê-lo. Conforme expressamente determinado pelo Ministro Alexandre de Moraes, na decisão de 17.07.2026, o Presidente Bolsonaro encontra-se com o direito de visitas suspenso pelo prazo de 30 (trinta) dias, enquanto seu primogênito, Senador Flávio Nantes Bolsonaro permanece impedido de visitá-lo pelo prazo de 90 (noventa) dias, circunstância que, por si só, evidencia a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção de autorização específica para a elaboração do referido material”, afirma o documento.

A defesa também sustentou que os filhos do ex-presidente já utilizavam sua imagem em atividades político-partidárias antes das medidas restritivas impostas pela Justiça. De acordo com o advogado, a reprodução de fotografias, vídeos, discursos e outras manifestações públicas sempre ocorreu de forma recorrente, sem qualquer objeção de Bolsonaro.

“Ao menos desde o período em que o Peticionário exercia a Presidência da República, seus filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito”, diz outro trecho da manifestação.