O Ministério Público da Bahia pediu à Justiça a condenação de Marcelo Castro, apresentador do programa Alô Juca, da TV Aratu, a até 61 anos de prisão pelo suposto envolvimento em um esquema de desvio de doações feitas via Pix. O pedido consta nas alegações finais apresentadas pelo órgão antes da sentença. Castro responde ao processo como réu e ainda não foi condenado.
De acordo com a acusação, Castro seria o principal integrante de uma organização criminosa que teria desviado parte de valores arrecadados entre 2022 e 2023 durante campanhas de ajuda exibidas no Balanço Geral Bahia, da Record, onde ele trabalhava na época. O MPBA afirma que mais de R$ 500 mil foram arrecadados e que o dinheiro destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade não teria sido integralmente repassado.
O Ministério Público também pediu a condenação de outras 11 pessoas denunciadas no processo. Entre elas está o jornalista Jamerson Oliveira, que atualmente trabalha com Castro no Alô Juca e é apontado pela acusação como um dos principais envolvidos no esquema.
Segundo o MP-BA, a investigação, que durou três anos, reuniu elementos que apontariam Castro como principal beneficiário dos valores desviados. O órgão também requereu o pagamento de R$ 1 milhão em indenização por danos materiais às vítimas.
“As provas coligidas evidenciam que os valores recebidos em razão da confiança depositada pelos doadores não foram integralmente empregados nas finalidades anunciadas, mas incorporados ao patrimônio dos acusados ou repartidos entre os integrantes do grupo criminoso”, diz o MP.
O órgão sustenta ainda que as movimentações financeiras teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos valores.
“As operações financeiras integraram um verdadeiro mecanismo de reciclagem de ativos ilícitos, concebido para romper o vínculo entre os recursos desviados sua origem criminosa, conferindo-lhes aparência de licitude e dificultando sua identificação pelos órgãos de persecução penal”, concluiu o documento.
A investigação começou após uma situação envolvendo o jogador baiano Anderson Talisca. Em 2023, o atleta decidiu doar R$ 70 mil depois de assistir a uma reportagem do Balanço Geral Bahia sobre uma criança de 1 ano que fazia tratamento contra o câncer.
O dinheiro seria destinado à família do menino Guilherme, que precisava de recursos para custear medicamentos. Durante a operação, porém, um assessor de Talisca procurou Marcelo Castro e percebeu que a chave Pix fornecida para a doação não correspondia àquela exibida na televisão como pertencente à família.
A divergência levou a Record Bahia a abrir uma apuração interna e registrar uma notícia-crime para que o caso fosse investigado. Castro e Jamerson Oliveira acabaram demitidos da emissora.
Segundo a acusação, o grupo teria arrecadado mais de R$ 540 mil em doações durante o período investigado. Desse total, aproximadamente R$ 410 mil, ou 75%, teriam sido desviados, enquanto R$ 135,9 mil chegaram efetivamente às pessoas que deveriam receber os recursos. Esses valores também aparecem em relatos públicos sobre a investigação.
A criança cuja história havia sido apresentada na televisão morreu semanas depois da exibição da reportagem.
Após deixarem a Record, Marcelo Castro e Jamerson Oliveira passaram a atuar no projeto Alô Juca, que posteriormente ganhou espaço na TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. Castro atualmente apresenta o programa.
Defesa nega envolvimento
Procurado, Marcelo Castro negou participação na organização criminosa. Por meio da defesa, o apresentador afirmou que os valores recebidos foram destinados às pessoas que solicitavam ajuda.
A defesa dos acusados já havia sustentado publicamente a inocência dos dois jornalistas desde o início do processo. Em julho deste ano, durante audiência de instrução, Castro permaneceu em silêncio. A fase de instrução foi encerrada e o processo avançou para as alegações finais, etapa que antecede a sentença.









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