O documentário “Raiz de MarÉ – De água a água” apresenta ao público experiências de mulheres negras e indígenas do território Tupinambá de Olivença, no Litoral Sul da Bahia, ao conectar memória, cultura popular, meio ambiente, equidade de gênero e luta por direitos. O filme, já disponível ao público, registra as vivências cotidianas, a atuação política e o cotidiano de marisqueiras, pescadoras, artesãs, mães, avós e jovens lideranças.
Filmado em paisagens marcadas pela presença do mar, dos rios e da Mata Atlântica, a produção mostra como as práticas da pesca e mariscagem contribuem para consolidar as relações comunitárias e culturais do povo Tupinambá de Olivença. Para isso, o documentário traz histórias de cinco mulheres – Ana Liz Tupinambá, Ana Maria Oliveira de Almeida, Vilma Serqueira da Silva, Eliana Batista dos Santos e Raimunda Guedes Alves – destacando seus contextos desafiadores e historicamente marcados por desigualdades. Aqui, elas trazem luz sobre a relação com a natureza e seus fazeres e saberes, como os recursos naturais foram primordiais para a criação de suas famílias e como elas se tornam guardiãs das águas e das matas que as rodeiam. Ana Liz Tupinambá, liderança jovem, mulher travesti e educadora é o fio condutor que dialoga com todas as personagens que aparecem no vídeo.
“A escolha da linha narrativa, centrada no protagonismo feminino e na relação com as águas, dialoga diretamente com o contexto atual, no qual se faz urgente ampliar e potencializar as vozes de mulheres indígenas e negras”, conta a professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, Fabiana Costa, que assina a direção com a artista visual Mariana Cabral.
O documentário dá continuidade ao projeto “Raiz de MarÉ”, cujo primeiro registro foi iniciado em 2020, com o fotolivro “Saberes: Flores e Frutos do Mar”, assinado por Mariana Cabral, e realizado com apoio do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia). Neste sentido, a produção audiovisual chega para reforçar a documentação dessas narrativas femininas, contribuindo com o reconhecimento dessas mulheres enquanto sujeitos de direitos e agentes do seu tempo e território.
A circulação vai acontecer em aldeias indígenas, escolas, universidades e outros espaços culturais e formativos, ampliando o acesso às narrativas e promovendo o diálogo sobre cultura, território, direitos e sustentabilidade. O objetivo é que o filme alcance públicos diversos, fortalecendo a visibilidade das lutas históricas, incluindo o processo de demarcação das terras indígenas Tupinambá de Olivença, que recentemente registrou avanços importantes. Para acessar o fotolivro e o documentário, clique aqui: https://linktr.ee/marianacvcabral
O documentário “Raiz de Maré – De água a água” foi contemplado com recursos do edital 001/2025 – Programa de Apoio à Arte e Cultura na UFSB – PAAC, tem patrocínio da Universidade Federal do Sul da Bahia por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura – PROEX/UFSB, e conta com apoio do Projeto de Extensão Juventude Sulbaiana, Coletivo de Comunicação Teia dos Povos e do projeto Raiz de Maré.
Foto: Mariana Cabral








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