A obesidade entre adultos nas capitais brasileiras mais que dobrou em 19 anos. Dados do Vigitel, divulgados em janeiro pelo Ministério da Saúde, mostram que a prevalência passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024 — alta de 118%.

O crescimento foi registrado em homens e mulheres, em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade. Entre elas, a taxa subiu de 12,1% para 26,7%. Entre eles, de 11,4% para 24,4%. Na série histórica, o maior avanço médio anual ocorreu na faixa de 35 a 44 anos. Já no período mais recente (2019-2024), a aceleração foi mais intensa entre adultos de 25 a 34 anos.

Outros levantamentos indicam que o problema é nacional. Pesquisa Datafolha mostrou que seis em cada dez brasileiros adultos estão com sobrepeso ou obesidade. Entre crianças, estudo do Cidacs/Fiocruz Bahia aponta que, aos nove anos, o sobrepeso atinge 30% dos meninos e 28,2% das meninas, enquanto a obesidade chega a 14,1% e 10,1%, respectivamente.

Turismo na Bahia

Para Maria Edna de Melo, médica do Hospital das Clínicas da USP e membro da Abeso, o cenário reflete o ambiente alimentar e as políticas públicas. “A gente tem alimentos ultraprocessados com uma inflação muito mais baixa e os alimentos in natura com uma inflação maior. Os investimentos do governo favorece o agro, em comodities, em contrapartida a gente tem uma diminuição nos investimentos de agricultura familiar”, diz.

Bruno Geloneze Neto, pesquisador da Unicamp, atribui o avanço a mudanças no estilo de vida. “Isso é reflexo de uma geração que chega na vida adulta com grande exposição a telas, consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e menor quantidade de atividade física não-programada’, avalia.

O Brasil assumiu a meta de conter o avanço da obesidade adulta em até 20,3% até 2030, mas o índice já superou esse patamar desde 2020. O Ministério da Saúde afirma investir em políticas de promoção da atividade física e destaca o Guia Alimentar para a População Brasileira como instrumento de orientação.