O levantamento sobre as eleições de 2024 divulgado nesta quinta-feira (23) pelo instituto Paraná Pesquisas demonstrou, na opinião de aliados do prefeito Bruno Reis (União), que o chefe do Executivo municipal deve somar forças com o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL) para enfrentar o candidato escolhido pelo grupo liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT),

No cenário em que é postulante à reeleição, que é aquele considerado abertamente pelos principais parceiros políticos do prefeito, a pesquisa apontou Bruno Reis na liderança, com 38,1%. Somados, todos os nomes colocados no levantamento de siglas da base de Jerônimo alcançam o percentual de quase 30%. João Roma, por sua vez, ficou com 7% (clique aqui para rever todos os dados).

Na avaliação de aliados do prefeito ouvidos pelo Toda Bahia, o desempenho de Roma revelou que ele será uma peça importante no xadrez eleitoral, com potencial de tirar principalmente votos de Bruno Reis no campo mais conservador que apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como aconteceu no pleito de 2022, na corrida pelo governo da Bahia – na ocasião, o ex-ministro teve como adversário mais a direita o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), e alcançou pouco mais de 9% dos votos no primeiro turno.

“Acho que a pesquisa mostra o que Bruno tem feito pela cidade. Ele tem feito uma boa gestão, circulado muito nos bairros e feito intervenções em toda a capital. Por isso está liderando. É o candidato natural do nosso grupo. Também acredito que o atual prefeito e o ex-ministro têm um adversário em comum que é o PT, e devem se unir para evitar que Salvador caia nas mãos do grupo do outro lado”, avaliou o deputado federal José Rocha (União), em conversa com o Toda Bahia.

Na condição de anonimato, um outro aliado próximo de ACM Neto afirmou que uma candidatura de João Roma “só ajuda o PT”. “Está na hora de os dois (o prefeito e o ex-ministro) sentarem para dialogar e acertarem os ponteiros. E o ex-prefeito precisa superar as divergências do passado. O que vale agora é o projeto, fortalecer o grupo”, ponderou.

Aliados e amigos pessoais no passado, ACM Neto rompeu com João Roma quando o segundo aceitou ser ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, se licenciando do mandato de deputado federal conquistado com a ajuda fundamental do ex-prefeito, que queria se manter distante politicamente do então mandatário da nação. A briga entre os dois se tornou mais intensa no primeiro turno do pleito de 2022, com acusações até pessoais em debates televisivos.

No segundo turno das eleições do ano passado, Roma chegou a levantar a bandeira branca e declarou indiretamente apoiou a ACM Neto, pois deixou claro que não votaria no PT. Mas o que se comenta é que o ex-prefeito nunca telefonou ao ex-ministro para agradecer o gesto ou buscar a reaproximação.

Sabendo da importância dessa reaproximação para 2024, Bruno Reis tem dialogado com João Roma, mas ainda não há martelo batido. Enquanto não há um entendimento, o ex-ministro e o PL têm defendido a tese da candidatura própria.