Por Dimítria Coutinho

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a Berlim, na Alemanha, onde deve assinar mais de 20 acordos bilaterais. O país é rota da 15ª viagem do presidente em seu primeiro ano do novo mandato.

Desde o início do ano, o presidente já visitou 24 países e, quando terminar sua agenda na Alemanha, terá ficado 62 dias fora do Brasil em compromissos internacionais, tempo em que o país ficou sob o comando do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O número já gera críticas internas, com 55% da população considerando a agenda internacional de Lula excessiva, de acordo com pesquisa da Genial/Quaest.

O número soa grande, sobretudo se for comparado com o governo anterior. Em seu primeiro ano de mandato, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou 28 dias fora em um total de 13 viagens, de acordo com levantamento feito pelo portal iG com base em dados da Biblioteca da Presidência da República. O levantamento considerou como mais de uma viagem quando um presidente visitou mais de um país em uma mesma saída internacional.

Mojana Vargas Correia da Silva, professora de Relações Internacionais na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), afirma que o “governo Bolsonaro não é um bom parâmetro de comparação”.

“O presidente Bolsonaro era um ator político muito diferente em relação aos atores políticos que estiveram na presidência brasileira desde a redemocratização, incluindo o Collor de Melo. Ele tinha um perfil muito diferente e que não tinha nem gosto, nem habilidade, nem formação para diplomacia”, analisa.

“Quando a gente pega esses dados isoladamente, parece bastante coisa, ou parece algo excessivo. Quando a gente compara isso com o governo Bolsonaro, parece ainda mais excessivo porque o presidente Bolsonaro estabeleceu voluntariamente uma postura de baixo perfil no envolvimento da sua política externa, e de baixo o perfil para a política externa brasileira também como um todo. Era quase uma situação de isolamento”, completa.

Parte das viagens de Lula, portanto, se justifica por essa espécie de demanda reprimida deixada por Bolsonaro. Comparando com outros ex-presidentes, Lula demonstra um perfil similar ao de Fernando Henrique Cardoso. No primeiro ano de seu primeiro mandato, FHC passou 62 dias em 18 viagens internacionais. Já Dilma Rousseff passou 42 dias fora em 16 viagens.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Fonte: IG