Prática criminosa que causa prejuízos ao atendimento emergencial, a ligação falsa, conhecida como “trote”, ainda é um grave problema enfrentado Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador, este ano, já foram registrados 21.034 trotes ao serviço.
Como explica o coordenador médico do Samu, Ivan Paiva, apesar da redução na frequência de trotes, que já chegaram a 85% das ligações há quase 20 anos, quando o serviço foi inaugurado. Segundo ele, hoje o percentual chega a 30% dos contatos feitos para a equipe de urgência e a prática consiste em dois tipos.
“O primeiro trote é aquele, principalmente de crianças, ou pessoas que ligam e que, no atendimento do chamado você já percebe que é uma ligação falsa, não é uma solicitação de atendimento, é alguém que liga pra conversar, para brincar, para dizer palavrão, para ofender as pessoas. Então, essas ligações, de imediato, já são desligadas porque a gente já percebe que não é uma solicitação de atendimento. Essas ligações causam o dano de ocupar a linha telefônica, ou seja, os telefonistas que estão ali para atender situações reais, terminam ocupando a linha, ocupando o seu tempo em atender ligações que não tem o menor sentido, são ligações que apenas servem para atrapalhar o serviço”, detalha.
Paiva ainda destaca outro tipo de trote, este mais elaborado, feito por um adulto, na maior parte das vezes, em que ele informa uma situação muito próxima do real. “A pessoa liga e diz: estou aqui na rua, próximo ao lugar tal e acabou de um motociclista se acidentar”. Na medida em que as perguntas vão sendo feitas, a pessoa vai dando informações que são impossíveis de identificar se aquilo é uma situação falsa ou uma situação real”, conta o coordenador médico do Samu. Nestes casos, ambulâncias são encaminhadas e quando a equipe chega ao local, no endereço referido, percebe que não se trata de uma situação real.
“Esses trotes são muito mais raros”, completa Paiva, informando que estes casos representam cerca de 10% do total dos trotes. Passar trote para serviços de emergência é um crime previsto no artigo 266 do Código Penal Brasileiro e pode levar a até seis meses de prisão.
Paiva destaca que o Samu controla as ligações e que já registrou casos de trotes praticados de forma recorrente por algumas pessoas. “Nós pegamos a lista das 50 pessoas que mais passam trote para o Samu e notificamos o Ministério Público, por se tratar isso de um crime”, relata.
Segundo ele, em um dos casos, foi acionada a Justiça e o acusado só parou de realizar trotes após uma audiência no Tribunal Criminal. “Para você ter ideia o grau de incômodo que essa pessoa fazia, a gente conseguiu documentar mais de 110 mil ligações vindas de apenas uma pessoa, essa qual a gente tomou uma medida mais efetiva de abrir um processo contra ela”, revela.
Quando a prática envolve menores de idade, o ato infracional é considerado gravíssimo, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nestes casos, a SMS promove ações educativas como o programa “Samu nas Escolas”, que consiste na orientação das crianças acerca do dano gerado pelo trote e sobre a importância do serviço prestado, além de orientar esse público acerca de ações de primeiros socorros. Além disso, o “PSPai”, que é voltado para professores e diretores da rede de escolas municipais. “Com criança, a gente não pode tanto usar mecanismos punitivos, então, a gente optou por mecanismos mais educativos”, complementa o coordenador médico do Samu.
TRBN.








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