O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta-feira (18) que nunca recebeu recursos do Banco Master e negou qualquer relação financeira com a instituição. Em entrevista à BandNews TV, o parlamentar comentou a investigação da Polícia Federal que apura sua ligação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco.

Segundo Wagner, a única negociação envolvendo Augusto Lima dizia respeito à possível aquisição de um apartamento no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões. O senador afirmou que pediu ao empresário que comprasse o imóvel durante a fase de construção, com o compromisso de recomprá-lo posteriormente.

“Eu queria ajudar minha filha na aquisição do apartamento. Como Augusto Lima atua como investidor, perguntei se ele poderia comprar o imóvel para que eu o recomprasse depois”, explicou.

A investigação da Polícia Federal foi aberta a partir da análise de materiais apreendidos com Augusto Lima. Os investigadores apuram suspeitas de que Wagner teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master, hipótese rejeitada pelo senador.

Wagner também afirmou que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação e recebeu manifestações de apoio. Segundo ele, não há qualquer discussão sobre sua permanência na liderança do governo no Senado.

“Não tenho nenhum negócio com o Master ou com o Credcesta. Também não houve qualquer transferência de patrimônio para o meu nome”, declarou.

O senador informou ainda que conhece o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apenas por encontros ocasionais ligados a atividades institucionais. Entre eles, citou a época em que o banco assumiu operações do Credcesta e uma consulta sobre a indicação do ex-ministro Ricardo Lewandowski para atuar na instituição.

Sobre os valores apreendidos pela Polícia Federal em sua residência em Brasília, Wagner afirmou que o dinheiro era composto por recursos provenientes de diárias recebidas do Senado e por moeda estrangeira adquirida legalmente junto ao Banco do Brasil.

A nova fase da Operação Compliance Zero cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há denúncia ou condenação contra os envolvidos.

 

TB