_O cenário de abertura e fechamento de empresas em Ilhéus exige atenção do poder público e uma discussão mais ampla sobre os caminhos do desenvolvimento econômico do município e de toda a região._

Dados recentes apontam que, no segundo trimestre de 2026, Ilhéus registrou 124 empresas constituídas e 192 extintas, resultando em saldo negativo de 68 empresas. Apesar disso, o setor de Serviços apresentou movimento de crescimento, com 71 novas constituições, demonstrando que existem segmentos com capacidade de expansão.
Para o ex-prefeito de Ilhéus e candidato a deputado estadual Marão, os números precisam ser analisados com responsabilidade e transformados em um diagnóstico para a construção de soluções.
“Eu vejo esse cenário com preocupação, mas, principalmente, como um sinal de que precisamos discutir com seriedade o ambiente econômico de Ilhéus. Não basta esperar que as empresas cheguem ou que os problemas sejam resolvidos sozinhos. O poder público precisa estar presente, ouvir quem empreende, compreender as dificuldades e construir soluções.”
Segundo Marão, sua experiência administrativa mostrou que o desenvolvimento de uma cidade depende da combinação entre infraestrutura, serviços públicos, qualificação profissional, capacidade de articulação institucional e criação de um ambiente favorável aos investimentos.
“Governar não pode ser apenas administrar dentro de um gabinete. É preciso estar nas ruas, conversar com o empresário, com o comerciante, com o trabalhador, com as universidades e com as entidades representativas. Quem está na ponta conhece problemas que muitas vezes não chegam ao gabinete.”
Marão defende a construção de uma política permanente de atração e permanência de investimentos, envolvendo desburocratização, qualificação de mão de obra, acesso ao crédito e avaliação de mecanismos de incentivos fiscais, sempre vinculados a contrapartidas capazes de gerar emprego, renda e novos investimentos.
“Incentivo fiscal precisa ser tratado com responsabilidade. Não é simplesmente reduzir imposto. É criar condições para que uma empresa invista, gere empregos, permaneça na cidade e produza retorno econômico e social. Ao mesmo tempo, precisamos cuidar de quem já está aqui, porque manter uma empresa funcionando também significa preservar empregos e renda.”
O ex-prefeito também destaca a importância de pensar Ilhéus dentro de uma perspectiva regional. A integração econômica com Itabuna e os demais municípios do Sul da Bahia, segundo ele, precisa fazer parte de uma estratégia de desenvolvimento.
“Ilhéus não pode pensar seu desenvolvimento de forma isolada. Temos universidade, aeroporto, turismo, comércio, serviços, indústria, cacau e uma localização estratégica. Precisamos transformar essas potencialidades em oportunidades concretas para quem quer investir, empreender e trabalhar.”
Marão afirma que, como deputado estadual, pretende levar sua experiência de gestão para uma atuação voltada à articulação entre municípios, Estado, União, setor produtivo e instituições de ensino.
“Precisamos transformar preocupação em planejamento. É hora de sentar à mesa, ouvir o setor produtivo, identificar os gargalos e buscar soluções. Desenvolvimento não acontece por decreto. Ele é resultado de planejamento, investimento, diálogo e capacidade de articulação. Ilhéus tem potencial. O que precisamos é criar as condições para que esse potencial se transforme cada vez mais em emprego, renda e qualidade de vida.”