Mal terminou a eleição para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), os bastidores da política baiana já começam a se movimentar para outro pleito: a escolha da próxima Presidência da Casa, prevista para 2027.

A atual presidente da Alba, Ivana Bastos (PSD), aparece entre os nomes cotados para permanecer no comando do Legislativo estadual. Reeleita deputada estadual como a candidata mais votada da Bahia pelo segundo pleito consecutivo, a parlamentar recebeu 203.202 votos nas eleições deste ano, depois de também liderar a votação em 2022.

Apesar da força eleitoral e da boa relação com parte dos parlamentares, a permanência de Ivana no cargo não é dada como consensual nos bastidores. Segundo fontes ouvidas pelo A TARDE, há uma articulação em torno da escolha de um nome capaz de transitar tanto entre a base do governo quanto entre os parlamentares de oposição.

Entre as possíveis candidaturas está a do deputado estadual Niltinho (PSD), que também conquistou a reeleição no último domingo (4). O parlamentar migrou do PP para o PSD e é considerado um aliado das gestões petistas na Bahia. Seu nome já havia sido lembrado em disputas anteriores pela Presidência da Alba, quando Nelson Leal e Adolfo Menezes acabaram eleitos.

Outro nome que pode entrar no cenário é o de Kleber Rosa (PSOL). A eventual candidatura dependeria da decisão do partido de manter a tradição de apresentar uma opção independente para a Presidência da Assembleia, ainda que a legenda tenha poucas chances de conquistar o comando da Casa.

Embora tenha apoio entre diferentes setores da Assembleia, Ivana Bastos também enfrenta resistências. Segundo relatos obtidos pela reportagem, alguns parlamentares demonstraram insatisfação com a atuação política da presidente durante a campanha eleitoral, especialmente por uma suposta incursão em redutos eleitorais de colegas que também disputavam a reeleição.

“Isso gerou uma insatisfação”, afirmou uma das fontes ouvidas pelo A TARDE.

A eleição para a Presidência da Alba, contudo, ainda está distante e deve envolver novas negociações entre os partidos e os deputados eleitos. O perfil do próximo presidente, especialmente a capacidade de diálogo com diferentes grupos políticos, aparece como um dos pontos considerados nas articulações.