A Presidência brasileira da COP30 divulgou neste domingo (8) o último documento no comando da conferência do clima da ONU: um roteiro para o levantamento de ao menos US$ 1,3 trilhão por ano (cerca de R$ 7,1 trilhões) até 2035 para enfrentar as mudanças climáticas, meta estabelecida na última conferência, em Belém, no ano passado. O passo a passo brasileiro é o primeiro para chegar na quantia determinada. As informações são do Blog Américo Martins.

O texto foi apresentado pelo presidente da COP30, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, em Antália, na Turquia, na véspera da abertura da COP31 e no último dia oficial do Brasil à frente da conferência. O valor estimado representa o que os países em desenvolvimento precisam por ano para cortar emissões, trocar combustíveis fósseis por energia limpa e se proteger de eventos climáticos extremos.

O documento é intitulado “Presidência da COP30: implementando o roteiro de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão”, mas é chamado informalmente de “mapa do caminho do financiamento”. Ele foi preparado pela equipe de Corrêa do Lago com um grupo independente de economistas sobre financiamento climático e especialistas de várias instituições. Entre os colaboradores estão o brasileiro José Alexandre Scheinkman, o britânico Nicholas Stern, a Nobel de Economia Esther Duflo e o francês Gabriel Zucman.

O roteiro explora seis fontes de recursos, que juntas poderiam gerar entre US$ 1,27 trilhão e US$ 1,41 trilhão por ano em 2035:

  • Dinheiro público: doações, empréstimos baratos, fundos climáticos e bancos de desenvolvimento, como o Banco Mundial, com foco nos países ricos, maiores responsáveis históricos pelas emissões. O fluxo atual, de cerca de US$ 160 bilhões por ano, subiria para até US$ 384 bilhões.
  • Investimento privado: hoje em torno de US$ 94 bilhões por ano, precisaria chegar a US$ 882 bilhões, mais de nove vezes o valor atual. Para isso, governos e bancos públicos teriam de reduzir os riscos dos investidores, com garantias, seguros e proteção contra a variação cambial.
  • Cooperação Sul-Sul: países em desenvolvimento, como a China, ajudando outros do mesmo grupo, de uma média de US$ 3 bilhões para até US$ 39,5 bilhões por ano. O texto ressalta que isso complementa, mas não substitui, a responsabilidade dos países ricos.
  • Reservas do Fundo Monetário Internacional (FMI): países com contas externas sólidas poderiam repassar parte dos Direitos Especiais de Saque, o que renderia até US$ 20 bilhões por ano.
  • Novos impostos e taxas: sobre super-ricos, transações financeiras, criptomoedas, passagens aéreas, transporte marítimo e combustíveis fósseis, com até US$ 129 bilhões por ano destinados ao clima.
  • Mercado de carbono: entre US$ 40 bilhões e US$ 144 bilhões por ano, dependendo do preço do carbono e de regras que garantam que os cortes de emissões sejam reais.

A principal ferramenta de fiscalização seria um painel público na internet, a “Bússola de Ação do Financiamento Climático”, que avaliaria o avanço das medidas pela escala, velocidade, alcance e impacto do dinheiro. A proposta é que os resultados orientem as próximas conferências do clima e o novo balanço global do Acordo de Paris, que começa justamente na COP31.

O documento passará às mãos das Presidências da COP31 e da COP32, que acontecerá na Etiópia. O texto ainda não foi negociado nem aprovado pelos países.

Foto: Isabela Castilho/COP30