A semana começou com muito trabalho por parte de assessorias técnicas e gabinetes parlamentares da Câmara dos Deputados em relação à continuidade da votação, nesta terça-feira (14), do Projeto de Lei 4330 – que regulamenta a atividade de terceirização. Segundo informações da mesa diretora da Casa, aprovado o texto-base da proposta, na última semana, os deputados tiveram prazo até a tarde de ontem (13) para apresentar suas emendas de destaque ao texto. A previsão é de que, tirando como referência os pedidos apresentados em votações polêmicas como esta aproximadamente 100 destaques foram apresentados.

Até a última sexta-feira, porém, foram protocolados 32 destaques – que são as emendas referentes a itens que se queira retirar ou modificar num texto legislativo. No Senado, para onde será encaminhado o PL 4.330 assim que for concluída a votação da Câmara, o tema já começou a ser discutido desde ontem, 13, por meio de audiência pública programada pela Comissão de Direitos Humanos.

A maior parte das emendas apresentadas, segundo informações de vários destes gabinetes, pedem a alteração, no PL, de itens sobre os seguintes temas: terceirização na atividade-fim (o projeto autoriza a terceirização em todos os tipos de atividade), responsabilidade da empresa contratante em relação aos direitos trabalhistas e a questão da filiação dos terceirizados no sindicato da atividade preponderante da empresa contratante.

Responsabilidade das empresas

Na votação da última semana, o relator da matéria, deputado Arthur Maia (SD-BA), acatou quatro emendas que já trataram da questão da responsabilidade nas empresas e da representação sindical, mas para a maior parte das centrais, as mudanças foram muito pequenas e não blindam os trabalhadores de possíveis prejuízos com a aprovação do texto.

Na emenda referente à responsabilidade das empresas, por exemplo, ficou estabelecido que tal responsabilidade possa ser subsidiária e solidária, a partir de determinados casos. Muitos sindicatos que eram contrários ao modo como o assunto constava no texto inicial permaneceram insatisfeitos, com a forma como foi feita a modificação pela emenda.

Outro trecho do PL, em relação à representação sindical dos terceirizados, é o segundo motivo de toda a polêmica (depois da questão da terceirização na atividade fim). Conforme afirmou o relator, a questão foi resolvida porque, na emenda que ele acatou, consta que os terceirizados podem ficar atrelados aos sindicatos de suas próprias atividades. Mas muitas entidades sindicais acham que o assunto precisa ser melhor detalhado dentro do PL, para não dar margem a brechas para descumprimentos a acordos e convenções coletivas.

“O texto do PL 4330/04, como foi aprovado, além de tudo que tem de ruim, ainda prejudica a ascensão profissional dos trabalhadores. Reconhecemos a necessidade de regulamentar o trabalho terceirizado já existente no país devido à natureza de novas categorias que exigem novas formas de atuação. Mas o exagero está em estender essa modalidade de vínculo trabalhista para todas as áreas. O que dizer daquelas profissões quanto ao grau de crescimento profissional, de expectativa de futuro? A terceirização não permite isso. Em nenhum momento”, destacou o líder do PT, deputado Sibá Machado.

Páreo duro

O páreo, no entanto, continua sendo duríssimo, uma vez que os parlamentares defensores da proposta também estão mobilizados. “Esse projeto é uma grande contribuição para o capitalismo brasileiro, para a economia de mercado. Falar em senzala, casa grande é a vanguarda do atraso. O contratante tem a obrigação subsidiária de fiscalizar e, se não fizer, isso vira responsável solidário”, argumentou um destes apoiadores da matéria da maneira como está no texto-base, o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG).

Já no Senado, a audiência a ser realizada tem o intuito de debater os impactos da possível aprovação do Projeto de Lei 4330/04 na Casa com centrais sindicais, entidades que estudam os reflexos da mudança na economia e na política trabalhista do pai, representantes do Judiciário e do setor produtivo (24 debatedores no total).

De acordo com o presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), a discussão vai ajudar a antecipar o alerta ao Senado sobre a matéria. “Este pode vir a ser o maior retrocesso da nossa história para o trabalhador brasileiro e se depender de nós, vamos fazer tudo para abrir os olhos do Congresso e impedir a aprovação em definitivo.”