Nem só de uma programação de baixo nível vive a TV brasileira. Considerando as exceções, na telinha também há publicidade que engana e deseduca. Para as crianças, adolescentes e mesmo adultos desinformados, o efeito de uma publicidade sem ética, respeito e responsabilidade social é ainda mais nocivo.

Vivemos diante de uma educação para o consumo imposta pelo mercado. O cidadão é bombardeado a todo o momento com a ideia de que ter as coisas é fundamental para ser feliz. Do ponto de vista psíquico, para aos psicólogos, trata-se de uma devastação emocional. Isso porque, quando os menos abastardos se sentem excluídos do processo de consumo imposto pela publicidade, perdem a auto-estima. Com relação aos jovens e adolescentes, a regulamentação da publicidade no Brasil deveria ser tratada como saúde pública.

Em outros países, como na Europa, tal regulamentação existe e é bastante rígida. Está fora de cogitação, por exemplo, comerciais veiculados na TV brasileira, como aquele em que uma famosa apresentadora infantil convoca as crianças a trocarem os “tênis velhinhos” pelo produto de sua marca. As crianças tiram os tênis, passam a estragá-los e, em seguida, pedem e forçam que os pais comprem o novo produto sugerido pela apresentadora. Esse tipo de publicidade abusa do sentimento do garoto ou da garota, através de uma adesão emocional, desrespeitando os direitos humanos.

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Para o Advogado ilheense Joabs Ribeiro (foto acima), tanto em Ilhéus e região, esse público ainda não tem discernimento para definir aquilo que é adequado ou não para ser consumido. “Acho razoável que a propaganda, tanto na TV, no Rádio ou em outros canais de divulgação para o público infantil seja direcionada aos pais”, afirma.

A Constituição brasileira diz que a lei deve criar mecanismo para proteger a família. Mas ela não existe. No Código de Defesa do Consumidor, o artigo 37 inclui propaganda abusiva aquela que “se aproveita da deficiência de julgamento e experiência do adolescente”. Porém o termo “abusiva” não é claro e nem especificado.

Portanto, os pais devem manter os seus critérios, sem culpas, e não ceder à pressão dos filhos, que desejam consumir tudo o que vêem na TV, pois, na verdade, eles estão sendo pressionados e manipulados para o consumo.

Na Grécia é proibida a publicidade de brinquedos entre 7 e 22h; Na Itália é proibida a publicidade de qualquer produto ou serviços durante desenhos animados; Na Suécia é proibida a publicidade durante programas infantis, nem imediatamente antes ou depois; Na Inglaterra é proibido o uso de mascote em publicidade de alimentos.

Já no Brasil quase tudo é permitido e em todos os horários e programações: Apelos comerciais infantis a todo o momento, não esquecendo outros apelos como a publicidade de preservativos com o sabor de preferência do garoto; vendas de bonecas infláveis; vendas de bebidas alcoólicas; comerciais de apelo sexual, disque-sexo, programas contra os valores morais e tantas outras barbaridades.

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária precisa dar um freio nos absurdos e, os publicitários por sua vez, precisam rever os seus conceitos, pois, ignoram a ingenuidade, a credulidade e a inexperiência dos adolescentes.

Jornal do Radialista

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*Elias Reis

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