A estratégia do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil) de se aproximar do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e do PT baiano sofreu um duro golpe.

Durante a votação do regime de urgência para dois projetos do pacote de corte de gastos apresentado pelo governo para cumprir a meta fiscal, considerados umas das pautas mais importantes do Palácio do Planalto neste final de ano, o parlamentar votou contra a proposta, que foi aprovada por um placar apertado de 267 votos — apenas 10 a mais que o mínimo necessário.

O posicionamento de Elmar gerou desconforto entre deputados petistas, que já viam com desconfiança sua aproximação com o governo Lula e o governador Jerônimo Rodrigues (PT).

A movimentação de Elmar em direção à base governista vinha sendo interpretada como uma tentativa de conquistar um espaço em uma eventual reforma ministerial.

Estratégia

O deputado buscava fortalecer seu nome para assumir o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, atualmente ocupado por Waldez Góes (PDT). No entanto, sua votação contrária ao pacote econômico pode ter minado qualquer chance de avanço nas negociações.

Nos bastidores, a aproximação de Elmar com o governo federal também estava relacionada à sua estratégia de disputar a presidência da Câmara dos Deputados. Após ser preterido pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP), que optou por apoiar Hugo Motta (Republicanos), Elmar buscou apoio no Palácio do Planalto. Porém, a mudança no cenário político fez com que o deputado perdesse força tanto no União Brasil quanto entre os aliados petistas.

Internamente, Elmar também enfrenta resistência dentro de sua bancada, após liderar o União Brasil por três anos consecutivos. Deputados da legenda defendem a alternância de poder e já cogitam novos nomes para a liderança da sigla em 2025, como Marangoni (SP), Arthur Maia (BA) e Mendonça Filho (PE).

Com a decisão, as propostas terão a análise acelerada e não precisarão ser votadas nas comissões temáticas. Agora, os textos podem ser analisados diretamente no plenário. As propostas enviadas pelo Executivo incluem ajustes orçamentários que buscam equilibrar as contas públicas, com impacto em áreas como aposentadorias e salário mínimo.