Depois da rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a buscar alternativas para indicar um novo ministro ao Supremo Tribunal Federal. A derrota é considerada histórica, já que é a primeira vez, desde 1894, que um chefe do Executivo tem um indicado recusado pela Casa.

Apesar do revés, interlocutores indicam que Lula não pretende abrir mão da prerrogativa de escolher um novo nome. Nos bastidores, aliados avaliam que houve erro de cálculo político, especialmente ao não indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que teria maior aceitação no Senado.

A avaliação é compartilhada por parlamentares como Otto Alencar (PSD-BA), que classificou a decisão como um “pecado original”, e Cid Gomes (PSB-CE), que apontou falta de “espírito republicano” na escolha.

Enquanto isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sinalizado, em conversas reservadas, que a definição do novo ministro pode ficar para o próximo presidente da República, diante da proximidade do fim do mandato atual.

Entre os nomes ventilados, aparece o da juíza federal Adriana Cruz, mas especialistas avaliam que perfis com esse histórico podem enfrentar resistência no Senado. Também há pressão de setores políticos para que a indicação contemple uma mulher negra, como defendido pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

A possibilidade de reapresentar o nome de Messias, no entanto, está descartada neste momento. Regras internas do Senado impedem que uma indicação rejeitada volte a ser analisada na mesma sessão legislativa.