Em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Secretaria Municipal de Saúde de Ilhéus realizou um Seminário de Saúde Mental com o tema “Liberdade como Terapia”, reunindo profissionais da saúde, usuários da rede e comunidade para discutir a importância do cuidado em liberdade e o fortalecimento da atenção psicossocial no município.
De acordo com a coordenadora do CAPS, Nájla Schmitz, a luta antimanicomial foi construída a partir da busca por um modelo de tratamento mais humano, diferente do antigo modelo hospitalocêntrico, no qual pacientes eram isolados em manicômios, privados da liberdade e do convívio social. Segundo ela, esse movimento deu origem à Reforma Psiquiátrica, que criou serviços substitutivos como os CAPS, baseados no cuidado em liberdade, no olhar integral sobre o indivíduo e em ações voltadas não apenas para o tratamento clínico, mas também para a reinserção social, cultural e comunitária.
O psiquiatra do CAPS, Gentil Neto, destacou que a luta antimanicomial não representa um embate entre hospitalização e desospitalização, mas sim a conscientização sobre a necessidade de um suporte multidisciplinar e descentralizado. Ele explicou que, em casos específicos, a assistência hospitalar é necessária, mas deve estar integrada a uma rede ampla de cuidados, incluindo CAPS, ambulatórios e demais serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Para o médico, o seminário foi um momento importante para integrar profissionais e usuários da rede em torno do debate sobre saúde mental.
A médica da Estratégia Saúde da Família, Sheila Portela, ressaltou o papel fundamental da Atenção Primária como porta de entrada do sistema de saúde, inclusive no cuidado com a saúde mental. Segundo ela, muitas vezes é nas unidades de saúde da família que surgem os primeiros sinais de sofrimento psíquico, desde transtornos mentais comuns até casos graves, sendo essencial uma equipe preparada para acolher, identificar precocemente e acompanhar esses pacientes. A profissional destacou ainda a importância do trabalho integrado entre saúde, assistência social e suporte matricial, reforçando que o cuidado em saúde mental vai além da medicação e exige olhar humanizado e atenção às vulnerabilidades sociais.
A dentista Cristina Guedes também participou do seminário e falou sobre a relação entre saúde bucal e saúde mental. Segundo ela, a saúde bucal está diretamente ligada à autoestima, ao sono, à alimentação e à qualidade de vida, sendo parte fundamental da integralidade do cuidado e da dignidade humana.
Durante o evento, o usuário do CAPS há 10 anos, Wesley Silva, de 38 anos, compartilhou sua trajetória. Ele lembrou que, quando chegou ao serviço, não conseguia falar e que hoje se sente calmo, bem e acolhido. Wesley destacou o carinho recebido no CAPS, além das atividades e oficinas terapêuticas, que fazem parte do seu processo de cuidado e ressocialização.
O seminário reforçou a importância do CAPS como espaço de acolhimento, cuidado humanizado e promoção da saúde mental, fortalecendo o debate sobre a luta antimanicomial e o direito ao tratamento com dignidade, respeito e liberdade.
por ASCOM SESAU









Sem Comentários!
Não há comentários, mas você pode ser o primeiro a comentar.