(ILHÉUS) – Nós, fazedores e fazedoras de cultura, representantes da sociedade civil ilheense, vimos a público manifestar nosso profundo repúdio às arbitrariedades cometidas pela antiga gestão do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus, presidida pelo Sr. Althemar Almeida Lima, cuja atuação tem ferido princípios básicos da ética, da transparência e da democracia participativa.
O mandato da referida gestão encerrou-se em junho deste ano, sem que houvesse qualquer mobilização para solicitar a dilatação de prazo ou garantir a continuidade institucional do Conselho dentro dos marcos legais. Diante deste cenário de vacância, a sociedade civil, atendendo ao chamado da Secretária de Cultura Anarleide Menezes, participou de uma reunião com representantes do Poder Público Municipal realizada na Prefeitura, e deliberou, de forma pública e legítima, pela formação de uma comissão provisória responsável por conduzir o processo eleitoral para renovação do Conselho, dada a urgência para se restabelecer a representatividade e o diálogo entre o poder público e o setor cultural.
Contudo, em um ato unilateral que desrespeita a vontade coletiva e os princípios democráticos, o ex-presidente do Conselho acionou o Ministério Público para interromper o processo eleitoral, e, de maneira ainda mais grave, requereu a publicação no Diário Oficial do Município de uma ata fictícia que não corresponde integralmente ao que foi deliberado no dia 30 de setembro de 2025 pela sociedade civil presente e com os representantes do Poder Público Municipal de Ilhéus. Esse comportamento configura um abuso de poder e uma afronta à autonomia e legitimidade da sociedade civil, além de comprometer a credibilidade de um espaço que deveria servir ao bem comum e à promoção das políticas públicas de cultura.
O episódio tem sido profundamente desgastante e violento, especialmente por envolver ataques verbais às representações femininas, o que consideramos inadmissível em uma cidade onde os índices de violência contra as mulheres crescem de forma alarmante. Permitir que tais atitudes persistam sem responsabilização é naturalizar a violência institucional e simbólica, o que não condiz com os valores que Ilhéus deve defender.
Diante disso, apelamos ao Poder Executivo Municipal, além de outras autoridades, para que não se omita diante desse grave cenário e reconheça a urgência de restabelecer a legitimidade do Conselho Municipal de Cultura, garantindo um processo eleitoral transparente, participativo e ético — que reflita, de fato, a voz da cultura ilheense.
Reafirmamos nosso compromisso com uma cultura democrática, plural, inclusiva e respeitosa. Não aceitaremos retrocessos, falsificações de documentos ou tentativas de perpetuação no poder à revelia da lei e da coletividade.
Ilhéus, 11 de novembro de 2025.
CASA DA CULTURA POPULAR – CASAR
CELEIRO CULTURAL LTDA
COLETIVO AS MADALLENAS
COLETIVO CENTRO CULTURAL OCUPAÊ
COLETIVO GINGA DE ANGOLA
COLETIVO HIP HOP ILHÉUS
COLETIVO SETORIAL AUDIOVISUAL ILHÉUS
DIGITAL APPARATUS
ESCOLA DE FORMAÇÃO DE AGENTES NEGROS – EFAN
FÓRUM PERMANENTE DE CULTURA
INSTITUTO BALLOMI
INSTITUTO OPAXORÔ
MOVIMENTO CULTURAL POVOS DE TERREIROS DE ILHÉUS – MCPTI
ORGANIZAÇÃO GONGOMBIRA DE DE CULTURA E CIDADANIA
QUADRILHA JUNINA GUERREIROS DA BAHIA
QUADRILHA JUNINA NÓS NÃO LIGA
SALVAGUARDA DA CAPOEIRA NA BAHIA – GT LITORAL SUL
TEATRO POPULAR DE ILHÉUS -TPI
UNIÃO DE NEGRAS E NEGROS PELA IGUALDADE – UNEGRO
UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES – UBM
FONTE: PM 55719273xxxx
JORNAL DO RADIALISTA