A Câmara Municipal de Ilhéus (CMI) voltou a debater, durante a sessão da última quarta-feira (15/04), a situação do Aeroporto do município com o piloto Alexandre Reis, que, além de fazer um diagnóstico, também apresentou possibilidades de resolução dos problemas. Entre as principais questões tratadas, estão os valores muito altos das passagens aéreas, as limitações de voos e o funcionamento no período noturno.

O piloto explicou que o encarecimento das passagens se dá, especialmente, porque o Aeroporto de Ilhéus ainda não opera pelo que chamou de ‘sistema de instrumento’, que permite que as aeronaves cheguem à pista mesmo em condições climáticas desfavoráveis. O uso ainda é do ‘sistema visual’ e, em dias de chuva, os aeronautas não conseguem enxergar a pista para realizar o pouso, sendo obrigados a arremeter e a aguardar a melhoria do tempo em outro aeroporto.

A impossibilidade dos pousos em dias chuvosos gera custos altos às empresas aéreas, especialmente porque é preciso garantir hotel e alimentação à tripulação em outro município, além de preparar um voo extra para trazer os passageiros de volta a Ilhéus. Todos esses gastos, segundo Alexandre, são repassados aos consumidores porque as empresas aéreas precisam aferir lucro, e as operações mais complexas justificam os valores altos das passagens.

Para o piloto, existe uma forma gratuita de contornar essa questão, que é a adesão a uma tecnologia do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). O setor de cartografia do órgão possui um sistema que desenha no céu uma carta, a partir do sinal de GPS, capaz de guiar o avião a uma distância muito próxima da pista, mesmo em situações climáticas adversas.

“A chance de o avião enxergar a pista [com esse sistema] é muito maior. É isso que estamos pleiteando. Não é preciso gastar um centavo”, explicou Alexandre.

Gabarito
Outra situação que compromete o funcionamento do Aeroporto de Ilhéus, segundo o piloto, é a ausência do que chamou de gabarito, que seria um espaço livre que impede que, na descida, a aeronave encontre obstáculos. Eram conhecidos cerca de 70 obstáculos ao gabarito, levantados pelo próprio Decea, mas um estudo encomendado pela Socicam, concessionária que administra o espaço, aumentou para mais de 300,  comprometendo ainda mais as operações.

Na ocasião, Alexandre fez duras críticas à Socicam, que, de acordo com ele, tornou ainda mais difícil a situação do aeroporto, com o novo levantamento. Para ele, a saída seria articular junto ao Ministério da Defesa a consideração do Aeroporto de Ilhéus como ‘de bem público’, como já acontece em outros espaços de transporte aéreo no país, a exemplo do de Santos Dumont no Rio de Janeiro.

“Com isso, o aeroporto pode não ter o gabarito, mas funciona porque é considerado de bem público”, reforçou o profissional da aviação.

Articulação
Alexandre Reis garantiu aos vereadores que todas as questões relacionadas ao Aeroporto de Ilhéus são de natureza política – e não técnica. Justamente por isso, pediu que, em unidade, as lideranças regionais pressionem as autoridades competentes pela resolução dos problemas que impedem o pleno funcionamento do sistema aéreo em Ilhéus.

A participação de Alexandre Reis na CMI foi articulada pelo vereador Paulo Carqueija (PSD) e aprovada pelo Plenário. “Vamos fazer dessas informações um alimento para atuar politicamente”, garantiu o edil.

O debate foi transmitido ao vivo e a gravação pode ser assistida a qualquer momento pela TV Câmara de Ilhéus no Youtube (https://www.youtube.com/@camarailheus4494).