A jornalista e analista política Cristina Serra avaliou que a aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode acabar produzindo um efeito contrário ao esperado no cenário eleitoral brasileiro. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta segunda-feira (13), ela afirmou que a estratégia tende a fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente diante de episódios envolvendo medidas adotadas pelo governo norte-americano contra o Brasil.
Para Cristina Serra, Flávio Bolsonaro busca se apresentar como principal interlocutor de Trump no país e consolidar sua posição como representante da extrema direita alinhada ao ex-presidente americano. “Acho que, de médio para longo prazo, durante a campanha e ao lidar com um personagem tão imprevisível como o Trump, isso acaba sendo um tiro no pé do Flávio Bolsonaro. Claro que, ao fazer isso, se alinha completamente ao Trump, ao demonstrar essa subordinação completamente vira-lata, ele demonstra que quer ser o interlocutor de Trump com o Brasil. Quer se mostrar para o Trump um candidato confiável, o representante da extrema direita e isso dentro de um alinhamento num cenário internacional”, afirmou.
A analista destacou ainda que essa postura pode trazer consequências no ambiente político interno, especialmente em uma disputa presidencial que tenha Lula como candidato. Segundo ela, o atual presidente reúne características que dificultam uma contraposição nesse contexto. “Esse modelo do Flávio implica em consequências e risco aqui dentro num cenário pré-eleitoral em que o presidente Lula é o candidato. É o presidente que está no cargo, conhecido, com projetos políticos executados, que volta ao cenário político-eleitoral em 2022 depois de ter passado pelo massacre da Lava Jato. Lula tem uma estatura que é difícil alguém como o Flávio vir e se contrapor assim”, disse.
Na avaliação de Cristina Serra, as recentes ações do governo Trump acabam favorecendo o discurso de defesa da soberania nacional adotado por Lula. “Por que eu digo que é um tiro no pé? Quando Trump toma medidas contra ministros do STF e parentes, as tarifas e todo discurso de potência, toda vez que o Lula se contrapõe a isso com o discurso da soberania nacional, o Lula cresce. Quanto mais o Flávio tem postura de vira-lata em relação ao Trump, mais isso beneficia o Lula”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:





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