O bilionário Elon Musk anunciou no sábado (5) a criação de um novo partido político nos Estados Unidos, batizado de “Partido da América”. A iniciativa marca uma ruptura definitiva com o presidente Donald Trump, de quem Musk foi aliado até recentemente.

Segundo o empresário, dono da Tesla, da SpaceX e da rede social X (ex-Twitter), a decisão foi motivada pela insatisfação com o sistema norte-americano, dominado por democratas e republicanos.

“Quando se trata de levar nosso país à falência com desperdício e corrupção, vivemos sob um sistema de partido único, não em uma democracia. Hoje, o Partido da América é formado para devolver a vocês a liberdade”, afirmou Musk em publicação feita no X.

A criação da legenda foi anunciada no dia seguinte ao feriado de 4 de Julho, data em que Musk promoveu uma enquete na plataforma perguntando se os usuários apoiariam um novo partido político. Segundo ele, o resultado — favorável por uma margem de 2 para 1 — o encorajou a formalizar a decisão.

O anúncio ocorre em meio a uma crescente tensão entre Musk e Trump. O estopim foi a aprovação, pelo Congresso dos EUA, de um megapacote orçamentário e tributário proposto pelo presidente, criticado pelo bilionário. Musk também já havia ameaçado financiar campanhas contra parlamentares que votassem a favor do projeto.

Trump, por sua vez, reagiu nos últimos dias ameaçando cortar subsídios federais recebidos pelas empresas de Musk e chegou a cogitar a deportação do empresário, que nasceu na África do Sul.

Até a noite de sábado, Musk não havia dado detalhes sobre a formalização do novo partido ou sobre possíveis candidaturas. Disse apenas que “será muito divertido” e pediu sugestões sobre o lançamento da legenda.

O anúncio gerou reação imediata no mercado. A gestora Azoria Partners adiou o lançamento de um fundo de investimentos ligado à Tesla e cobrou esclarecimentos sobre os planos políticos de Musk. “Isso abala a confiança dos acionistas de que ele está focado em suas empresas”, afirmou James Fishback, CEO da gestora.