A Igreja Universal do Reino de Deus adotou uma postura diferente da que marcou sua atuação nas eleições anteriores e, até o momento, não declarou apoio a candidatos na disputa presidencial de 2026. A mudança contrasta principalmente com o comportamento da instituição em 2022, quando programas ligados à igreja fizeram manifestações explícitas em favor de nomes da direita.

Segundo levantamento da coluna F5, da Folha de S.Paulo, a programação da Universal exibida desde o início oficial da campanha não apresentou orientação direta de voto. Pastores abordaram temas como família e valores cristãos, mas sem associá-los publicamente a candidatos ou partidos. A previsão, segundo a coluna, é de que a postura seja mantida durante o segundo turno.

A diferença em relação a 2022 é significativa. Naquele ano, a Universal chegou a exibir um programa especial na Record poucos dias antes do primeiro turno em que orientava fiéis a votar em candidatos de direita ligados a Jair Bolsonaro. O próprio Edir Macedo também declarou apoio ao então presidente durante a campanha.

Em janeiro daquele ano, Renato Cardoso, bispo da Universal e genro de Macedo, havia publicado texto no qual defendia a incompatibilidade entre ser cristão e apoiar a esquerda. Meses depois, a própria igreja afirmava que não obrigava seus membros a escolher determinado candidato, mas fazia críticas ao PT e dizia considerar pautas da esquerda incompatíveis com valores evangélicos.

A estratégia de 2026 ocorre em meio a um cenário diferente para o grupo empresarial ligado à Universal. O Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, que investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro. A operação levou ao bloqueio de valores e colocou a instituição financeira sob investigação.

Segundo pessoas ligadas à Universal e à Record ouvidas pela coluna F5, a situação do banco é considerada um dos fatores que ajudam a explicar a opção pela neutralidade. A avaliação relatada é de que a ausência de um posicionamento eleitoral explícito preservaria espaço para interlocução com o governo que sair das urnas.

A Universal, contudo, não deixou de realizar mobilizações durante o período eleitoral. Em agosto, a igreja lançou o “Desafio de Neemias”, campanha espiritual de 52 dias que terminou justamente no dia do primeiro turno. Embora não houvesse menção direta à eleição, a programação abordava temas como fé, família e valores cristãos.

A postura também aparece na cobertura eleitoral da Record. Segundo fontes citadas pela coluna, a emissora adotou uma cobertura menos concentrada na disputa presidencial do que em pleitos anteriores. No domingo da votação, por exemplo, o Domingo Espetacular informou os resultados da apuração, mas manteve sua programação sem dedicar o mesmo espaço de análise  política observado em outras emissoras.