Por Rayllanna Lima/TB
Maria e José continuam sendo os nomes mais populares do Brasil, revelando a força das tradições religiosas e culturais que moldaram a formação do país. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado nos dados do Censo Demográfico de 2022, os dois seguem predominando em praticamente todos os estados, especialmente na Bahia.
A Supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, explica que a escolha desses nomes está diretamente ligada à herança lusocatólica, resultado da colonização portuguesa e da forte presença do catolicismo no país. “Maria e José são nomes icônicos para os católicos. Eles remetem à tradição religiosa e continuam fortemente presentes mesmo em um contexto de mudanças sociais e culturais”, disse em entrevista à Tribuna da Bahia.
O estudo mostra que Maria predomina em todos os estados e, junto com José, lidera em 21 deles. Segundo Mariana, essa presença expressiva reflete a influência de séculos de religiosidade e costumes portugueses, ainda marcantes entre os brasileiros. “Os nomes compostos também ajudam a manter Maria e Ana em alta. É uma tradição portuguesa incorporada à nossa cultura, e muitos nomes femininos começam com Maria ou Ana”, destacou.
Na Bahia, os dados confirmam a força dessas tradições. Uma em cada dez mulheres do estado se chama Maria, totalizando mais de 783 mil pessoas, o equivalente a 5,5% da população baiana. Já entre os homens, José continua no topo, com mais de 361 mil registros, embora o número tenha caído 13,6% em relação ao Censo anterior. Entre os homens, José divide espaço com João, Antônio e Pedro (todos nomes de santos), reafirmando o peso da fé católica nas escolhas familiares. “Esses nomes são mais do que palavras, são símbolos de fé e valores transmitidos de geração em geração”, observou Mariana.
Mas o levantamento também revela transformações nas novas gerações. Os bebês nascidos entre 2020 e 2022 já trazem nomes mais curtos e modernos, refletindo outras influências culturais. “Vemos a chegada de nomes como Alice, Laura e Luna, que já não têm uma ligação tão forte com a religião. A Júlia, que aparece entre os mais comuns, também sinaliza essa mudança”, explicou.
No universo masculino, nomes como Davi e Enzo ganham espaço – o primeiro ainda com conotação religiosa -, mas já associada à expansão das igrejas evangélicas; o segundo, influenciado por celebridades e referências midiáticas. “Essas escolhas mostram que a sociedade brasileira está mudando seus referenciais culturais, abrindo espaço para outras formas de influência”, avaliou.
Para Mariana Viveiros, o banco de dados de nomes não é apenas uma curiosidade estatística. Ele ajuda a entender a história e a identidade coletiva do país. “Os nomes carregam significados pessoais, familiares e também socioculturais. Acompanhar sua evolução é uma forma de compreender quem somos enquanto povo e como nos transformamos ao longo do tempo”, disse.
Além de servir a pesquisadores e estudiosos, o levantamento aproxima a população da estatística. “Quando alguém vê seu nome nesse banco, percebe que também faz parte dessa grande história retratada pelo Censo. Mesmo que seus dados individuais não apareçam, ela está ali representada”, afirmou Mariana.






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