Ao eleger a profissão de advogado para sí, cada homem ou mulher vive um grande dilema: optar por um caminho que vai nos deixar eternamente apaixonados em virtude do exercício multidisciplinar proposto e de dar passos extremamente encantadores toda vez que nos aprofundarmos em novos estudos, ou de outro ângulo, nos assustar imediatamente e fugirmos disto ao perceber quão grande desafiador é labutar numa profissão cheia de dificuldades a enfrentar e que lida diretamente com o combate à injustiças em todos os aspectos da vida cotidiana;

Ser advogado em síntese é também ser um pouco psicólogo, médico, engenheiro, investigador, soldado, dentre tantas outras profissões a qual precisamos nos encaixar por vezes na tentativa de resolução e entendimento de cada desafio que nos é proposto. Incontáveis são os “leões” contra quem temos que lutar diariamente, contudo, o maior deles provavelmente sejam os olhares e os dizeres desconfiados de setores que ainda não conheceram a nossa história e/ou tampouco a nossa realidade.

Muito embora o exercício da advocacia neste país venha de muito antes, foi com o surgir da Ordem dos Advogados do Brasil na década de 30 que esta profissão ganhou a devida notoriedade e reconhecimento de essencial seja nas lutas públicas ou privadas. Estabelecida na conhecida “Era Vargas”, durante o governo provisório daquele estadista, a OAB mostrou dali em diante que a sua criação não teria como foco ser apenas mais uma entidade de classe organizada, mas sim uma grande instituição que além de defender em diversos aspectos os seus associados, se propõe também a guerrear em favor de interesses coletivos que assistem à todo o povo brasileiro;

Desde o seu início foram muitas as batalhas desta Ordem mesmo sem inserirmos aqui os desafios do cotidiano: ameaças de dissolução por regimes totalitários, prisão de membros atuantes, resistência desde difamações injustas em geral à manutenção da nossa dignidade mesmo após a eventos absurdos e extremistas como um atentado a bomba, dentre outros afins, o que jamais nos impediu de estarmos sempre de pé e guerreando sempre em todos os sentidos, o que nos leva a concluir, e porque não, que sempre fomos grandes e verdadeiros amigos da democracia e da liberdade no Brasil, afinal o que seria de uma Nação se cada um de seus advogados não tivesse a consciência de levantar todos os dias sabendo do seu importante papel para o bom funcionamento do seu Município, Estado, País, através de uma luta constante e sabendo que desistir ou voltar atrás jamais foi uma opção?

Clara e precisa foi a Carta Magna de 1988 quando em seu art. 133 disse o seguinte: “o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. Dito isto, e, mediante a todo o apresentado à atentos olhos e ouvidos em longos anos, seria sábio e concluso dizer: Exercício do Direto como profissão, ame ou deixe!

*Willian Oliveira Araújo

Advogado militante sob OAB/BA 41370

“Fé e Justiça”