A corrida política já começou em Ilhéus — e, ao contrário do que alguns grupos tentam vender como simples movimentação partidária, os sinais apontam para algo muito maior: uma disputa interna por votos, espaço, protagonismo e poder. De um lado, o União Brasil inaugura seu comitê com a presença do candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto. No dia seguinte, o Progressistas (PP) promove uma ação política na cidade, articulada e coordenada pelo ex-prefeito Jabes Ribeiro. Coincidência? Para quem acompanha política com alguma atenção, dificilmente.

O que está em jogo não é apenas quem ocupará uma fotografia de evento ou quem terá mais espaço em determinada solenidade. Está em disputa quem terá capacidade de montar grupo, mobilizar lideranças, entregar votos e chegar forte às eleições de 2028. E é justamente aí que começa a ficar interessante — e incômodo. De um lado, um prefeito ainda inexperiente na arena política, com dificuldades evidentes de articulação e estratégia. Do outro, um velho conhecido da política ilheense: Jabes Ribeiro, político experiente, articulador, intelectual e estrategista, que conhece como poucos os caminhos, atalhos e labirintos da política local.

Enquanto alguns eventos parecem acontecer para preencher agenda e produzir fotografias, as movimentações do PP sob a articulação de Jabes Ribeiro demonstram uma preocupação maior com mobilização, organização e presença popular. Política, afinal, não se faz apenas com carro plotado, postagem em rede social e palanque improvisado. Política se faz com grupo, liderança, território e, sobretudo, voto.

E as urnas são impiedosas.

Elas não respeitam discurso bonito, marketing político, maquiagem administrativa ou narrativa fabricada em gabinete. As urnas contam os votos. E os votos revelam quem realmente tem grupo. É por isso que a atual movimentação entre PP e União Brasil merece atenção. Quem terá mais força eleitoral em Ilhéus? Igor Domingues? Cacá Leao? Leur Lomanto Júnior? Pedro Tavares?

A resposta não virá das redes sociais, dos discursos de ocasião ou das fotografias ao lado de lideranças estaduais. Virá das urnas. E essa eleição poderá funcionar como uma espécie de prévia involuntária de 2028. A disputa não é apenas eleitoral. É pelo controle do futuro político de Ilhéus. A população mais pobre não vive de inauguração de comitê. Não vive de fotografia com candidato. Não vive de disputa partidária.

Vive de posto de saúde funcionando, escola digna, rua pavimentada, saneamento, iluminação, transporte, assistência social e presença efetiva do poder público. É nesse ponto que a política institucional começa a se distanciar perigosamente da realidade das ruas.

Enquanto os grupos políticos disputam espaço e tentam demonstrar força para 2028, comunidades inteiras continuam esperando que o discurso de renovação saia do palanque e entre pela porta da frente dos bairros. Porque até agora, para uma parcela significativa da população, a chamada renovação parece ter produzido mais maquiagem política do que transformação administrativa. E maquiagem, como todos sabem, pode esconder imperfeições — mas não resolve problemas.

Jabes sabe fazer política. O governo terá que aprender a governar.

Esse talvez seja o ponto mais delicado dessa equação. Jabes Ribeiro conhece a política. Conhece lideranças, conhece o eleitorado, conhece os mecanismos de mobilização e sabe que uma eleição não se ganha apenas com estrutura institucional. Uma eleição se ganha quando existe capilaridade política. É preciso estar no bairro. Conversar com liderança. Ouvir comunidade. Construir alianças. Organizar militância. Identificar demandas. Criar confiança. E, principalmente, transformar presença política em voto.

É exatamente isso que será colocado à prova. O União Brasil terá sua estratégia. O PP terá a sua. Outros grupos também estarão observando, calculando e esperando o momento certo para entrar no tabuleiro. E o prefeito?  Terá que provar se consegue ser mais do que um gestor cercado por uma estrutura política herdada ou montada às pressas. Terá que demonstrar capacidade de articulação, liderança e, principalmente, independência estratégica. Porque governar uma cidade é uma coisa. Construir um grupo político capaz de sobreviver às urnas é outra completamente diferente.

2028 já começou.