A violência sempre chamou atenção do nós seres humanos, e isso se comprova com facilidade se formos buscar nossa História. O Coliseu fazia enorme sucesso nos tempos de apogeu na Roma Antiga, atualmente temos o enorme sucesso do UFC, sem esquecer que os meios de informação da atualidade exploram à exaustão as mais terríveis notícias. Eis um momento de reflexão que deveríamos fazer, já que é a audiência que determina a programação, não o contrário. Ficamos impregnados com a sensação e percepção que o nosso mundo  é cada vez mais violento.

O fato é que somos condicionados a entender que existem dois tipos de pessoas: quem manda e quem obedece. Hoje devemos obedecer nossos pais, os mais velhos e os professores, mas amanhã, seremos nós que estaremos no comando e devemos seguir essa padrão que nos condicionaram. Nesse ponto, vamos arriscar afirmar que o poder não é apenas exercido pelo estado ou pelos senhores do capital, está presente em qualquer nível da sociedade, já que nossas sociedades se baseiam em “hierarquias imaginadas”.

Não podemos, já que vamos eleger representantes políticos, continuar na tendência que vivemos de justificar comportamentos agressivos, de fechar os olhos para quem mente e ataca de forma rasteira familiares e nossa honra, de quem se apresenta nessa hierarquia imaginada como um superior. Será que não estamos somente fechando os olhos e permitindo que tais situações de extrema gravidade nos afaste do conceito de cidadania e democracia? Temos mesmo e somos obrigados a fingir e até mesmo nos convencer que devemos concordar com a maioria, para não sermos afastados, “cancelados” entrando assim no conformismo, esquecendo nossos valores e nossas percepções como cidadãos?

A competição, a desconfiança e a honra são gatilhos da violência. Tendemos a seguir ordens de figuras de liderança, mesmo que sejam contra nossos valores morais. Eleição se enquadra nesse contexto.

Precisamos eleger líderes que tenham como base que as pessoas não respeitam apenas aquilo que temem, e essa noção pautada em Maquiavel é muito forte, creio que evitamos aquilo que tememos, portanto, temos que alterar esse contexto que esta formando em nossas cidades e nação um exercito de pessoas medíocres, dependentes e sem exercer nossa cidadania, buscando uma sensação de segurança que é somente uma ilusão imposta para que continuemos a ser uma manada sem consciência.

Não somos marionetes de nossas emoções e instintos primitivos. Somos cidadãos e temos o poder do voto. Não precisaremos de uma cadeirada em Ilhéus para que evitemos o conformismo, não aceitaremos o terror, o assédio ou a humilhação como ferramentas de gestão. Vamos acreditar que ninguém deseja realmente fazer o mal.

 

_“o mal é perpetrado pela falta de conhecimento, há apenas uma coisa boa: conhecimento; e uma coisa má: ignorância”._ (Sócrates)

 

*Prof. Lucio Gusmão é professor de História, intelectual e colaborador exclusivo do site jornaldoradialista.com.br