Caros amigos, hoje não vou refletir sobre Ilhéus especificamente, mas expor um sentimento que nos coloca com sensações de Impotência gritante. Um sentimento de impotência que é frequente, de não ter e não poder fazer nada. Recebemos notícia diariamente sobre o conflito na Palestina em variadas formas e plataformas de informação, mas é angustiante ver a banalização que tais notícias produzem.

Nesse momento, caro eleitor, a maioria de nós sinta, ao perceber o desespero, o medo, a dor e , ao mesmo tempo, uma certa esperança que se torna presente, que estamos envoltos em sentimentos e sensações intensas. O que em geral acontece em curto espaço de tempo, e isso é avassalador para nossa mente e a nossa alma.

Sinto que há um desmoronamento de uma suposta estrutura em nossas mais básicas referências de humanidade e sociedade, tudo se perde. Será que temos lugar em nossas mentes para toda esta intensidade e insanidade que estamos presenciando, será que temos alguma palavra que possa explicar, com um mínimo de racionalidade essa situação traumática no nível presenciado?

Como Historiador e estudioso da História não sou alienado em não citar que estamos repetindo ações de outras Eras e contextos desumanos que nos coloca como vorazes destruidores de nós mesmos, mas com tanta suposta tecnologia em pleno Século XXI, para nos aproximar e nos elevar enquanto sociedade fazemos o caminho inverso do que poderíamos chamar “evolução”.

Em redes sociais se disputam narrativas sobre de quem é a forma menos lastimável de mortes de crianças, pasmem, chegamos a esse ponto de nossa imbecilidade, transformando mortes, chacinas de crianças e indefesos em disputa de “torcidas”. Se acham superiores, são ‘invencíveis’, ‘fortes’ como se com esse tipo de (des)humanidade fosse instrumento de prazer. Sofrem de um certo ‘embotamento cognitivo’ e por estarem identificados com pseudos lideranças que tem essa postura, se sentem autorizadas, legitimadas e ainda tem apoio de uma imensa parcela de lunáticos de redes sociais.

A banalização da morte é antes a banalização da vida!

Isto mostra um aspecto perverso e desumano. É sintoma de uma grave crise de valores éticos de uma sociedade que está doente, alienada e alienante. Enquanto a vida não tiver valor, a morte será só um detalhe.

 

Que a Justiça de Deus caia como fogo e traga um lar para os palestinos.

Que a Misericórdia de Deus se derrame como a chuva e proteja o povo judeu.

E que os belos olhos de um Deus Sagrado que chora por Seus filhos;

Tragam a esperança de cura para os seus feridos.

Para os judeus e os palestinos.

(Hino de Garth Hewwitt. “Ten Measures of Beauty”).

 

*Lúcio Gusmão é professor de História, Filosofia e, colaborador/articulista do site JORNAL DO RADIALISTA.