No Dia Nacional do Notário e do Registrador (18.11), Relatório apresenta
informações detalhadas da atuação do setor no combate à lavagem de
dinheiro, arrecadação fiscal, recuperação de crédito e estatísticas de
negócios e cidadania da população brasileira

Os 13.440 Cartórios distribuídos pelos 5.570 municípios do País são
responsáveis pelos atos vitais do cidadão brasileiro: do nascimento ao
óbito, da união estável ao casamento, da compra de uma casa ao registro
de uma empresa, do testamento ao reconhecimento de paternidade, da
recuperação de dívidas à fiscalização de arrecadação tributária para
União, Estados e municípios. Ao todo, 77 órgãos públicos recebem parte
dos valores pagos pelos cidadãos aos cartórios – do Ministério Público à
Santa Casa de Misericórdia, passando por Tribunais de Justiça e
Defensorias Públicas.

Na data em que se comemora o Dia Nacional do Notário e do Registrador
(18 de novembro), a Associação dos Notários e Registradores do Brasil
(Anoreg/BR) lança o Relatório Cartório em Números, fonte primária de
informações à sociedade sobre uma série de atos vitais de cidadania,
negócios jurídicos pessoais e patrimoniais, constituição de empresas e
recuperação de créditos para entes públicos e privados.

Em estudo inédito revela que até 80% da receita bruta dos cartórios é
comprometida com repasses a órgãos públicos e despesas de funcionamento,
sendo que o Estado brasileiro ainda é beneficiado – gratuitamente – por
um silencioso trabalho de fiscalização de tributos exercido por notários
e registradores, que muitas vezes só podem praticar seus atos após
conferência minuciosa do pagamento de tributos aos entes públicos, como
o ITBI, ITCMD, ISS, ITR e IPTU, valores que somente este ano totalizaram
R$ 73 bilhões, destinados a promover o desenvolvimento social e
econômico do País.

Administrados por profissionais formados em Direito, aprovados em
concursos públicos de provas e títulos realizados por Tribunais de
Justiça do País, os Cartórios brasileiros empregam diretamente 80.383
funcionários, beneficiando ainda 125.786 pessoas de forma indireta. À
frente destas unidades estão 6.613 homens e 6.368 mulheres, que
gerenciam suas unidades de forma privada, devendo arcar com todas as
responsabilidades inerentes à profissão, respondendo de forma
administrativa, civil e criminal por todos os atos praticados e pela
unidade e sua equipe de colaboradores.

Os Cartórios do Brasil geram dados desagregados de impacto social e
econômico em todas as regiões do País, sendo responsáveis direto pelas
informações primárias para a elaboração de políticas públicas nas áreas
de Saúde, Educação, Habitação, Saneamento e Defesa. O relatório traduz e
torna público os números das cinco especialidades que compõem os
chamados serviços extrajudiciais: Registro Civil, Registro de Imóveis,
Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas, Tabelionatos de
Notas e Tabelionatos de Protesto.

Entre as informações do relatório nacional, destaca-se uma das mais
recentes atuações do setor, que diz respeito ao combate à corrupção,
lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. Em fevereiro deste
ano, por meio do Provimento nº 88, do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), os Cartórios foram incluídos na lista de entidades que repassam
comunicações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf), do Ministério da Economia. Desde então, 784.067 atos foram
relatados, sendo 686.174 apenas na categoria Comunicações Suspeitas
(COS), marca que ultrapassou os Bancos, com 176.696, antes responsáveis
pelos maiores números remetidos ao Coaf.

Tributos e créditos

No período de 2010 a 2020, foram fiscalizados para o Poder Público R$
542 bilhões em impostos, sendo R$ 73 bilhões somente neste ano, o maior
patamar atingido nos últimos 11 anos. Apenas com o Imposto sobre
Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), a arrecadação foi de R$ 81
bilhões até o mês de setembro. Já nos valores incidentes de Imposto
Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto de Transmissão de Bens
de Imóveis (ITBI), R$ 53 bilhões e R$ 15 bilhões, respectivamente.

Os Cartórios de Protesto, com amparo legal e fiscalização do Poder
Público, solucionam, em até três dias úteis, 60% das dívidas, permitindo
que pequenas, médias e grandes empresas recebam seus créditos e
mantenham a economia equilibrada, recuperando 44 bilhões para o setor
privado nos últimos 30 meses, o que representa 2/3 das dívidas levadas a
Protesto. Também são utilizados por entes públicos federais, estaduais e
municipais para a cobrança de dívidas de impostos não pagos, permitindo
a estes órgãos desenvolverem suas políticas públicas por meio da
recuperação de R$ 8,7 bilhões somente nos últimos 30 meses.

A atuação dos Tabelionatos de Notas na desjudicialização dos atos de
divórcios, separações, partilhas e inventários resultou na facilitação e
otimização de tempo para o cidadão e para o Poder Judiciário, além de
gerar economia de quase R$ 5 bilhões aos cofres públicos, beneficiando
mais de 8 milhões de pessoas. A economia ao Poder Público aumentou nos
últimos anos, passando de R$ 564 milhões em 2017 para R$ 620 milhões em
2019. Novos atos de apostilamento, usucapião e retificações de registros
ampliaram ainda mais esta economia com a não utilização da máquina
pública.

Atos de cidadania e estatísticas vitais

Além das estatísticas vitais de nascimentos, casamentos e óbitos, os
cartórios brasileiros incorporaram a seu Portal da Transparência painéis
específicos para mensurar o impacto da pandemia da COVID-19 no País, com
páginas especiais relacionadas a óbitos causados pelo novo coronavírus,
e seus impactos na mortalidade por causas respiratórias e cardíacas,
segmentando ainda estas informações por local de falecimento, cor da
pele e local de residência.

A parceria com a Receita Federal do Brasil permitiu a emissão gratuita
de mais de 10 milhões de CPFs já no ato de registro de nascimento,
facilitando a vida da população. Tornados Ofícios da Cidadania por conta
da Lei Federal nº 13.484/17, os Cartórios passaram a atuar em parcerias
com órgãos públicos para oferecer novos serviços aos usuários, como a
inscrição, consultas, alteração e emissão de segundas vias de CPFs. Já
os atos gratuitos de nascimento, inclusive aqueles realizados em
maternidades, e óbitos, bem como suas respectivas certidões, já
totalizaram mais de 58 milhões desde 2002.

Nos últimos anos, outros atos têm ganhado notoriedade, como os
casamentos homoafetivos, realizados desde 2013 no Registro Civil. Até o
ano de 2019, foram 62.967 celebrações civis de matrimônio em todo o
País. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que os
transgêneros têm o direito à substituição de prenome e gênero
diretamente no Cartório de Registro Civil. No mesmo ano, a Corregedoria
Nacional de Justiça publicou o Provimento nº 73/2018, a fim de
formalizar a averbação da alteração do prenome e do gênero nos assentos
de nascimento e casamento, levando a 3.921 mudanças de nome e gênero
desde então.

Regularização de bens e serviços eletrônicos

Com a pandemia, os Cartórios se reinventaram e, com autorização do Poder
Judiciário, puderam migrar ser serviços para o meio eletrônico. Atos de
escrituras de compra e venda, doações, divórcios, inventários,
testamentos podem ser feitos por meio de videoconferência pela
plataforma e-Notariado. Os serviços de Protesto – como envio de títulos,
certidões, cancelamentos e quitação – estão todos disponíveis em
plataforma própria, a Cenprot, 24 horas por dia, acessíveis de qualquer
do mundo.

Serviços eletrônicos para o registro de propriedades foram remodelados e
hoje podem ser realizados de forma totalmente digital, por meio da
Central Nacional de Registro de Imóveis. Mais de 97% das solicitações
feitas por meio do Portal Registradores, que integra os serviços
prestados eletronicamente pelos Cartórios de Registro de Imóveis, são
gratuitas. No total, foram 324.534.109 solicitações em 20 meses, sendo
317.529.191 gratuitas. Para melhoria do ambiente de negócios e maior
praticidade nas transferências imobiliárias, a Central de Imóveis do
Brasil implementou um novo módulo de serviço, o Guichê de Certidões, bem
como implantou o projeto Indicadores Imobiliários, que permitiu ao
Brasil melhorar sua colocação no quesito de registros de propriedades no
ranking internacional Doing Business.

Anoreg/BR

Fundada no dia 4 de maio de 1984, com sede na cidade de Brasília (DF), a
Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR) é a única
entidade da classe com legitimidade, reconhecida pelos poderes
constituídos, para representar os titulares de serviços notariais e de
registro do Brasil em qualquer instância ou Tribunal, operando em
harmonia e cooperação direta com outras associações congêneres,
principalmente com os Institutos Membros e Sindicatos, representativos
das especialidades. É regida pelo Código Civil brasileiro, pelas demais
disposições legais aplicáveis e pelo Estatuto.