A possibilidade de realização da Guerra de Espadas de forma regularizada durante os festejos juninos de 2026 em Senhor do Bonfim continua em discussão entre organizadores, poder público e órgãos de fiscalização. Embora exista um acordo firmado para permitir a prática em condições específicas, etapas consideradas fundamentais ainda precisam ser concluídas antes da liberação definitiva.
O processo teve início com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público da Bahia, a Prefeitura de Senhor do Bonfim e a Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB). O documento estabeleceu regras para que a manifestação cultural pudesse ocorrer em uma área controlada, conhecida como espadódromo, sob rígidos critérios de segurança.
Entre as exigências previstas estão a adequação do espaço destinado ao evento e a utilização exclusiva de artefatos certificados conforme as normas estabelecidas pelo Exército Brasileiro. Segundo o Ministério Público, esses requisitos são indispensáveis para que a celebração seja autorizada.
Em nota, o órgão informou que acompanha os preparativos juntamente com a administração municipal, forças de segurança, Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). A intenção é garantir que a preservação da tradição aconteça sem comprometer a integridade física dos participantes e do público.
De acordo com o MP-BA, ainda faltam duas etapas decisivas: a aprovação final do local onde ocorrerá a manifestação e a certificação das espadas que serão utilizadas durante o evento.
A Associação Cultural dos Espadeiros afirma que os preparativos avançaram nos últimos meses, mas reconhece que parte do cronograma depende da análise e autorização de órgãos federais. Segundo a entidade, a principal dificuldade tem sido justamente a tramitação burocrática relacionada à certificação exigida pelo acordo.
A Guerra de Espadas é considerada uma das tradições mais conhecidas dos festejos juninos de Senhor do Bonfim e há anos está no centro de debates envolvendo patrimônio cultural e segurança pública. A prática passou a enfrentar restrições judiciais após registros de acidentes e questionamentos sobre o uso de artefatos explosivos produzidos artesanalmente.
O Corpo de Bombeiros frequentemente alerta para os riscos associados à fabricação e ao manuseio desses materiais, especialmente quando produzidos em locais improvisados e sem controle técnico adequado. Os perigos incluem queimaduras graves, explosões acidentais e outros acidentes capazes de provocar danos físicos e materiais.
Mesmo diante das restrições, episódios envolvendo a prática continuam sendo registrados em algumas localidades. Durante os festejos juninos deste ano, imagens mostraram moradores promovendo guerras de espadas no bairro de Periperi, em Salvador.
Na ocasião, a Prefeitura de Senhor do Bonfim divulgou nota reforçando que a atividade, fora dos parâmetros definidos pelos órgãos competentes, representa riscos à segurança coletiva. O município destacou ainda que a utilização irregular dos artefatos pode configurar crime, conforme previsto na legislação federal.
TB.








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