Durante décadas, as seleções africanas foram vistas como surpresas ocasionais em Copas do Mundo. Em 2026, no entanto, o continente chegará ao torneio com uma força inédita. Pela primeira vez na história, dez países africanos estarão presentes no Mundial, um recorde que simboliza não apenas a expansão da competição, mas também a crescente influência da África no futebol internacional.

Marrocos, Senegal, Egito, Argélia, Tunísia, Gana, Costa do Marfim, África do Sul, Cabo Verde e República Democrática do Congo formam a maior delegação africana já vista em uma Copa. O número reflete um continente que há anos exporta talentos para os principais clubes da Europa e que passou a ocupar um espaço cada vez maior nas grandes competições.

Se em 1990 Camarões surpreendeu ao chegar às quartas de final e, em 2010, Gana ficou a um pênalti de alcançar as semifinais, foi em 2022 que o futebol africano rompeu uma barreira histórica. Liderado por Achraf Hakimi, Hakim Ziyech e Yassine Bounou, o Marrocos se tornou a primeira seleção africana a disputar uma semifinal de Copa do Mundo, eliminando Espanha e Portugal pelo caminho.

Quatro anos depois, a sensação é de que aquele feito pode deixar de ser uma exceção. A geração marroquina continua competitiva, enquanto Senegal, Costa do Marfim e Egito chegam embalados por elencos experientes e pela presença constante de jogadores nas principais ligas da Europa.

Retorno do Congo após 52 anos 

Mas a história mais simbólica dos africanos nesta Copa talvez seja a da República Democrática do Congo. O time garantiu a última vaga do continente ao derrotar a Jamaica na repescagem intercontinental e voltará ao Mundial após 52 anos. A última participação havia sido em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire e se tornou a primeira nação da África Subsaariana a disputar um Mundial.

O retorno acontece em meio a um cenário de instabilidade política, conflitos armados que atravessam o país há décadas e um surto de ebola às vésperas do Mundial. Por isso, a classificação foi celebrada como mais do que uma conquista esportiva. Em Kinshasa, a capital do país, milhares de pessoas foram às ruas após a vitória, transformando o futebol em um momento de união nacional.

A presença de Cabo Verde também ajuda a ilustrar a transformação do continente. Com menos de um milhão de habitantes, o pequeno arquipélago garantiu uma vaga entre os representantes africanos e disputará a Copa do Mundo pela primeira vez.

A ampliação do torneio para 48 seleções abriu espaço para mais representantes, mas a presença africana em 2026 também é resultado de um processo de fortalecimento que vem sendo construído há décadas.