O deputado federal Alex Santana (Republicanos) reagiu, nesta quarta-feira (15), à possível decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de cortar mais de R$ 7 bilhões em emendas parlamentares para ajustar o Orçamento de 2026.

“Quem faz orçamento não é o governo, quem faz orçamento é o Congresso. Isso é uma prerrogativa do Legislativo. O Executivo pode cumprir ou não, mas a obrigação de elaborar o orçamento é do Congresso”, afirmou o parlamentar em entrevista ao A Tarde.

Santana destacou que o governo pode sugerir cortes, mas que a decisão final cabe ao Congresso Nacional.
“Ele [o governo] não pode cortar. É o Congresso que vota. Sinalizar um possível corte é um direito do Executivo, mas cabe ao Congresso analisar se acata ou não a proposta”, reforçou.

O deputado também criticou a hipótese de que o corte seria uma retaliação à derrota do governo no Congresso, após a derrubada da MP 1303/2025, que tratava da tributação de aplicações financeiras.
“Se o governo entrar em uma guerra de braços com o Congresso, deveria se preocupar em cortar gastos públicos desnecessários, deixar de criar novas despesas e focar em setores produtivos, como a indústria e o agronegócio”, afirmou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou na terça-feira (14) que a equipe econômica estuda reduzir mais de R$ 7 bilhões em emendas para reequilibrar as contas públicas, decisão que pode aumentar a tensão entre Planalto e Congresso.

A proposta surge em meio à determinação do presidente Lula para um “pente-fino” em cargos indicados pelo Centrão no governo, ação coordenada pela ministra Gleisi Hoffmann (PT), em resposta ao desgaste político causado pela derrota na Câmara.

A disputa em torno das emendas parlamentares deve se tornar um dos principais focos de tensão entre o Executivo e o Legislativo na reta final de 2025, em meio à discussão do Orçamento do próximo ano.