Após oito anos de proibição, a tradicional Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim está autorizada a voltar a ocorrer de forma legal, regulamentada e com regras de segurança. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado nesta sexta-feira (19), na sede do Ministério Público do município, abrindo caminho para a retomada da manifestação cultural já no São João de 2026.

O acordo foi firmado pelos promotores de Justiça Felipe Pazzola e Isabela Santana, pelo prefeito Laércio Júnior, pelo presidente da Câmara de Vereadores, Ary Urbano, pelo comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nivaldo Mascarenhas, além de secretários municipais e do presidente da Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB), Alex Barbosa. A assinatura reúne, em um mesmo documento, representantes do poder público, forças de segurança e dos próprios espadeiros.

O TAC é resultado de um processo de diálogo que buscou conciliar a preservação da tradição cultural com a legalidade e a segurança pública. O documento deixa claro que a liberação não é irrestrita. A Guerra de Espadas passará a seguir um modelo regulamentado, com regras específicas, fiscalização e critérios técnicos para sua realização.

Entre as exigências estão a definição prévia do local do evento, a apresentação de um Plano de Segurança e Contingência, a presença de atendimento médico e brigadistas, além da atuação integrada da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e dos órgãos de saúde. Caberá ao município garantir a infraestrutura necessária e fiscalizar o cumprimento das normas.

Outro ponto central do acordo é a regulamentação dos artefatos utilizados. As espadas deverão ser fabricadas conforme normas técnicas específicas, com certificação e fiscalização do Exército Brasileiro, medida considerada fundamental para reduzir riscos e proteger participantes e moradores.

Com a assinatura do TAC, a Guerra de Espadas inicia uma nova etapa em Senhor do Bonfim. A partir de agora, o desafio será avançar na certificação dos artefatos e consolidar um modelo que preserve a tradição como patrimônio cultural, respeitando a legislação e priorizando a segurança coletiva.