A declaração do senador Otto Alencar (PSD) de que seguirá apoiando a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) mesmo que Angelo Coronel (PSD) fique de fora da chapa majoritária, dada no final da semana passada, em entrevista a um podcast, repercutiu diretamente no tabuleiro político da base governista e acabou fortalecendo, nos bastidores, a posição do MDB para manter a vice nas eleições de 2026.

Até então, a maior ameaça ao espaço do MDB na chapa vinha justamente do PSD. Circulavam especulações de que Coronel poderia ser acomodado como vice ou, alternativamente, indicar o filho, o deputado federal Diego Coronel (PSD), para a função. Aliados de Coronel, e também lideranças do PT, afirmaram ao Toda Bahia que essa possibilidade nunca chegou a ser formalmente apresentada. A eventual oferta dependeria de uma intermediação de Otto, que acabou não ocorrendo.

O impasse se deu porque Coronel sempre deixou claro que não aceitaria “rebaixamento” político, recusando-se a negociar qualquer posição que não fosse a reeleição ao Senado. Ao mesmo tempo, o senador passou a sinalizar uma aproximação maior com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), o que acendeu o alerta no núcleo duro da base governista.

Essa movimentação teria sido decisiva para o atual distanciamento entre Otto e Coronel. De um lado, Otto não escondeu o incômodo com o avanço do diálogo do compadre com a oposição e decidiu dar a polêmica entrevista, que representou uma mudança de rumo. De outro, Coronel reagiu mal às declarações públicas do presidente do PSD baiano.

Com isso, o MDB ganhou fôlego para sustentar a tese de que a manutenção de Geraldo Júnior como vice é hoje a solução menos conflituosa dentro da base. Sem o PSD disposto a brigar por compensações e com Coronel isolado em sua estratégia, aliados avaliam que o risco de rearranjos na vice diminuiu consideravelmente. A maior ameaça aos planos emedebistas passa a ser o Avante, que, entretanto, mira principalmente a suplência de uma eventual candidatura do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao Senado.

Nos bastidores, a leitura é de que a fala de Otto não apenas selou sua lealdade a Jerônimo, após o filho do senador ser confirmado, o ex-deputado Otto Filho (PSD), emplacar a cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) por indicação do governador, mas também reorganizou o equilíbrio interno da base, empurrando Coronel para o “colo” de ACM Neto.

TB