A Venezuela registrou mais de 800 tremores secundários nos dez dias seguintes aos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho. Segundo a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas, responsável pelo monitoramento, foram contabilizados 804 abalos até a manhã de sexta-feira (3).

De acordo com o órgão, cerca de 98% das réplicas tiveram magnitude inferior a 4, o que significa que, na maioria dos casos, os tremores não foram percebidos pela população.

Especialistas explicam que o aumento da atividade sísmica após um grande terremoto é um fenômeno esperado. Localizada na zona de contato entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, a Venezuela apresenta atividade sísmica frequente. Ainda assim, os terremotos registrados em junho foram os mais intensos no país neste século.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertou que as consequências geológicas podem persistir por anos. Entre os principais riscos estão novos deslizamentos de terra e fluxos de detritos, especialmente em áreas próximas a rios e encostas, o que pode comprometer futuras obras e dificultar a reconstrução das regiões atingidas.

Uma análise preliminar da Nasa estima que cerca de 59 mil edificações tenham sido danificadas ou destruídas pelos terremotos.

O regime venezuelano informou que criou uma comissão para avaliar os danos estruturais, embora ainda não tenha divulgado um cronograma para as inspeções e ações de reconstrução.

Segundo o balanço mais recente das autoridades, o número de mortos chegou a 2.954, enquanto mais de 16 mil pessoas ficaram feridas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas, e a expectativa é de que o total de vítimas aumente à medida que as equipes de resgate avancem sobre os escombros.

 

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