Mais de 31 anos de registros fotográficos de manifestações do movimento negro e o cotidiano dos afrodescendentes em diversas temáticas e contextos populares agora terão uma nova sede. Nesta sexta-feira (26), às 18h, o Zumví – Arquivo Afro Fotográfico – inaugura sua nova sede, na Ladeira do Carmo, nº 28, Pelourinho.

A nova sede será um espaço executivo e de exposição de obras selecionadas do Zumví. As fotografias expostas foram selecionadas pelo fotógrafo fundador do Zumví, Lázaro Roberto, e trarão um arranjo de obras do acervo que retratam o movimento negro, a Feira de São Joaquim e festas populares. “Esses temas compõem a chamada Baianidade nagô”, afirma Lázaro. Algumas das obras expostas estarão disponíveis para venda. Serão três séries, disponibilizadas em diferentes tamanhos e valores.

A venda de imagens custeará o processo de conservação de todo arquivo. A conservação foi iniciada com a compra de materiais para higienização de parte do acervo, assim como envelopes e caixa de acondicionamento adequados, após uma campanha de financiamento coletivo. A iniciativa também contou com apoio Matchfunding Enfrente, Fundação Tide Setubal e Benfeitoria.

O Zumví Arquivo Afro Fotográfico surgiu em 1990 pelas mãos dos fotógrafos Lázaro Roberto, Ademar Marques e Raimundo Monteiro, três jovens negros das periferias de Salvador comprometidos com o registro das atividades culturais e políticas e a produção de imagens da cultura afro-brasileira. Atualmente, o acervo é mantido por Lázaro Roberto, juntamente com trabalho do historiador José Carlos Ferreira.

O ateliê Zumví funcionará de forma colaborativa com o artista plástico Totonho, que retrata a beleza da floresta tropical e sua devastação deprimente.

O Zumví teve a parceria do professor Elson Rabelo – pesquisador colaborador do Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor da Universidade do Vale do São Francisco – que está realizando treinamentos com a equipe do acervo para acelerar o processo de higienização e conservação. A professora Júnia Mortimer da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufba também colabora com a conservação do acervo.