O Brasil está sendo dizimado pelo avanço do negacionismo, falta de sensibilidade e a
completa irresponsabilidade criminosa do governo federal diante da pandemia da
COVID-19. Temos mais de 450 mil mortes pela doença, e podemos ter um novo
crescimento do número de vítimas por conta da reabertura das atividades de ensino em
forma presencial, impulsionada pelo PL 5595/2020, que busca reconhecer a educação
como uma atividade essencial e responder assim aos interesses de mercado.

Na última semana, surgiu publicamente e de forma repentina a discussão sobre
possível aprovação de realização de atividades práticas, excepcionais, de forma
presencial na UESC. Frente a essa discussão, que deveria ser realizada de forma
ampla e enraizada na comunidade acadêmica, as entidades representativas da
Associação de Docentes da UESC – ADUSC e do Sindicato de Servidores Técnicos da
UESC – AFUSC trazem algumas reflexões:

As condições sociais e econômicas dos estudantes da UESC são mais que conhecidas.
Para a grande maioria, a única condução para vir à universidade é num transporte
coletivo, que obviamente não será exclusivo para discentes da UESC. A situação do
transporte público se apresenta com frotas de transporte municipais e intermunicipais
reduzidas, com diversas linhas, como Ilhéus – Itabuna e Ilhéus-Olivença, superlotadas
em horários de pico. Como a universidade vai garantir que exista segurança no
deslocamento de ida/vinda para a Universidade? Mesmo que seja elaborado um rígido
protocolo preventivo para as atividades dentro da UESC, não é possível garantir a
segurança de estudantes, técnicos, terceirizados e professores no trajeto desde a saída
de casa.

Ou ainda uma pergunta mais difícil: como vamos encarar a família de um estudante ou
parente que pode morrer porque esse discente se contagiou de COVID no percurso ou
na mesma universidade?

Sobre o atual cenário da pandemia de COVID-19 na região, consta no ‘Informe
Epidemiológico da UESC’ do dia 19 de maio que as taxas de ocupação dos leitos de
UTI fazem uma média de 84 %, com uma média de 66,2% de casos/dia, com a média
de 466 casos ativos para o 19/05, em Ilhéus e Itabuna. No mesmo Informe,
percebemos nos gráficos de projeção de casos acumulados da doença até junho de
2021, uma curva crescente em forma linear com taxas de crescimento de 35,5 e 71
casos/dia para Itabuna e Ilhéus, mantendo a tendência atual do tratamento da doença.
Assim, segundo a avaliação da OMS para a região sul da Bahia, o risco é ALTO,
indicando suspensão de atividades escolares presenciais e distanciamento social
ampliado.

A respeito da vacina, recentemente numa entrevista do Sr. Governador Rui Costa para
as rádios da região oeste em 21/05, ele menciona que “a vacina está chegando a
conta-gotas, culpa da política do Governo Federal, e tendo a autorização da ANVISA
para liberar a Sputnik-V em breve (até final de julho), seria possível vacinar uns 15
milhões de baianos, até setembro, outubro ou novembro de 2021, sem incluir as
crianças”.

Na UESC, temos atualmente 50% de servidores com mais de 40 anos vacinados com a
primeira dose da vacina AstraZeneca, e sem previsão de vacinação para servidores
com menos de 40 anos e de estudantes de todas as idades. Assim, um retorno
presencial com segurança, por mais que seja parcial, somente pode ser garantido com
100% de imunização para todas e todos.

Em meio a esse contexto, as entidades representativas que subscrevem essa nota,
indicam que veem com muita preocupação a possível aprovação de um retorno com
parte presencial, sendo imprescindível que a Universidade se responsabilize pela
garantia de segurança sanitária para essas atividades, com a vacinação, testagens
periódicas, distribuição de EPIs para todos envolvidos nas atividades e a adoção de
um protocolo rígido para uso do transporte que conduz a comunidade acadêmica.
Assim, apelamos à sensibilidade e à humanidade dos membros do Conselho
Universitário da UESC – CONSU para garantir a vida de todas e todos e NÃO
AUTORIZAR um retorno presencial indiscriminado, que mostrará o desrespeito da
UESC com o direito à vida.

Nesse momento, entendemos a complexidade da decisão a ser tomada pela
Universidade por meio desse Conselho Universitário, e esperamos que esta decisão
seja embasada na garantia da vida, segurança e responsabilidade.

Ilhéus, 25 de maio de 2021
Associação de Docentes da UESC – ADUSC
Sindicato dos Servidores Técnicos da UESC – AFUSC

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