Daqui a poucos meses milhões de brasileiros estarão elegendo prefeitos em mais de cinco mil municípios brasileiros. Num quadro de desencanto com a política e em meio a uma crise sem precedentes na sua história política, o Brasil cumprirá o rito sem motivação e num clima de grande decepção com a chamada classe dirigente.

Nas eleições municipais, o dinheiro corre solto e os debates programáticos são secundarizados pela chamada propaganda de massa. Nela, fatores subjetivos e sem grande importância para a gestão dos governos são priorizados em detrimentos dos programas e metas apresentados.

Aparência, bom desempenho na mídia e principalmente, grana para movimentar a infantaria envolvida no processo são os itens mais levados em consideração, tendo a desinformação do eleitor um papel determinante nesse rito coloca no poder dos municípios um sujeito de quem tudo depende por quatro anos.

Se o cara é um corrupto, um incompetente ou um despreparado, a conta chega logo no dia de posse e os recursos municipais começam de pronto a ser drenados para familiares, apoiadores, financiadores da campanha.

Com a proposta de alguns, como o governador da Bahia, que se convoque eleições gerais para que o País possa sair do marasmo, o rito pode ser antecipado e ampliado numa movimentação inédita para a Justiça Eleitoral que trará, sem dúvida, grande confusão no cenário eleitoral, confusão sujeita a muitos ilícitos e malfeitos.

Teria o Brasil eficiência para realizar gigantesca operação num prazo curto de tempo? Nossa competência e tecnologia estariam à altura desse mangue eleitoral proposto com vistas a promoção de uma saída para a crise política atual?

Do jeito que as coisas vão, o mais provável é que até mesmo as eleições municipais sejam adiadas. De sorte que os desejosos de uma eleição presidencial antecipada podem estar sem saber juntando mais combustível na fogueira de uma saída por fora da Constituição.

Preservar as conquistas obtidas até aqui já é uma tarefa hercúlea. Portanto, o melhor é suportar o tédio do cenário atual para não comprometer o calendário eleitoral, previsto em Lei, assegurado pelas instituições e possível mesmo no contexto de um governo interino como o de Temer. Ruim com ele, pior sem ele…

Gustavo Falcón é jornalista, escritor, doutor em História Social pela UFBA e consultor de Programas de Governo. Ele escreve sobre Política às segundas-feiras no Toda Bahia. E-mail: gustavo.falcon@todabahia.com.br