De olho na campanha eleitoral, os vereadores de Salvador anteciparam em 12 dias o recesso de meio de ano após aprovarem, na tarde desta quarta-feira (19), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025 enviada pela Prefeitura. Oficialmente, o período de suspensão das atividades legislativas acontece a partir do dia 1° de julho. Os edis só retornam aos trabalhos na Casa em 5 de agosto.
O recesso ampliado por conta da pré-campanha eleitoral já estava nos planos dos vereadores e do presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB). O que não estava no script foi a sessão tumultuada em meio a falas machistas do vereador Átila do Congo, que, ironicamente, é presidente do Partido da Mulher Brasileira (PMB) na Bahia.
A confusão teve início quando a vereadora Laina Crisóstomo (Psol) utilizou a tribuna para criticar um dos projetos do Executivo de alteração em empréstimos já aprovados na Casa. Interrompida pelo vereador Paulo Magalhães Júnior (União), Laina parou o discurso chorando. “Eu não consigo terminar a fala porque é isso. Ser mulher na política é isso todos os dias”, disse a edil.
Logo depois, Átila do Congo, disse ao microfone que se sentia constrangido com a fala de Laina. “Às vezes o que parece é que nesse vitimismo os homens estão ficando para trás e sendo colocados como vilões. Quantos homens morrem por câncer de próstata e não tem urologista no SUS e a gente ver Hospital da Mulher, hospital disso e daquilo. O que vemos é o vitimismo tomar conta do Brasil e os valores deturpados”, discursou.
“Hoje, pode tudo a mulher e o homem não pode nada. Hoje, se dermos um pio, é agressão. Se falar alguma coisa, somos julgados e sentenciados sem direito a ampla defesa e o contraditório. E isso está se estendendo para esta Casa. O argumento de fachada é o machismo. Fazemos um alerta para os homens abrirem os olhos. Vejo muitas cobranças de direitos e os homens sendo demonizados. Enquanto isso, estão encarcerando pais de família inocentes por motivo torpe”, complementou Átila.
As vereadoras Laina, Marta Rodrigues (PT), Débora Santana (PDT), Ireuda Silva (Republicanos), Cris Correia (PSDB), Roberta Caíres (PP) e Marcelle Moraes (União) rebateram com intensidade. Ireuda e Débora relataram, inclusive, que já foram vítimas ou testemunharam na família casos de violência doméstica.
“Eu quero uma resposta dele. Porque como homem o senhor se prestar a uma fala como essa? Quero que o senhor olhe para mim. O senhor tem aqui uma mulher diante do senhor que está aqui equilibrada porque Deus é Deus. Fui criado num ambiente onde meu pai colocava um 38 na cabeça de minha mãe e ela não ia falar nada justamente por causa de homens como o senhor, machistas, que desacreditam daquilo que passamos em nossos ambientes fechados. Quando o senhor falar sobre mulher, o senhor tem que menstruar para entender o que representamos”, disse Ireuda.
No final da sessão, Carlos Muniz colocou as vereadoras Ireuda, Marca, Laina, Marcelle e Cris no comando dos trabalhos, como forma de apoiar as vereadoras. Muniz também ironizou o fato de Átila comandar o PMB na Bahia e não defender as mulheres.
Outros projetos
Além da LDO, os vereadores aprovaram outros dois projetos do Executivo. O primeiro projeto modificou a lei de dezembro de 2021 que permitiu ao Executivo contratar US$125 milhões junto à Corporação Andina de Fomento, com o objetivo de captar recursos para o financiamento de despesas para a execução de obras e ações em áreas de infraestrutura e equipamentos urbanos, mobilidade, além de programas de qualificação profissional.
Outro projeto do Executivo, aprovado hoje na Câmara, alterou o empréstimo aprovado originalmente em dezembro de 2023, no valor de R$150 milhões, para a renovação da frota de ônibus na cidade. A modificação incluiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) como opção de agente financiador – o texto anterior citava apenas a Caixa Econômica Federal. As duas instituições são financiadoras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A Câmara Municipal aprovou ainda projetos de indicação, requerimentos, moções e honrarias propostas pelos próprios vereadores.








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